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Dificuldades no mercado de luxo fazem evaporar o crescimento da receita da Prada

Andrew Roberts

(Bloomberg) - As vendas da Prada SpA ficaram praticamente inalteradas pelo segundo ano seguido, com a força do dólar prejudicando a demanda dos turistas por bolsas que custam US$ 3.000 nos EUA.

A receita ficou em 3,55 bilhões de euros (US$ 3,96 bilhões) em 2015, de acordo com informações prestadas na quarta-feira pela empresa com sede em Milão, dona de marcas que incluem Miu Miu e Car Shoe.

A estimativa média dos analistas era 3,56 bilhões de euros. As vendas no mercado americano recuaram 9 por cento, excluindo variações cambiais, segundo a Prada.

A fabricante de artigos de luxo enfrentou "volatilidade extrema" nos mercados de câmbio e "deterioração da situação geopolítica em muitas regiões do mundo", declarou em comunicado o presidente da companhia, Patrizio Bertelli.

"Esses dois fatores levaram à flutuação dramática dos preços e afastaram o tráfego de turistas de maneira repentina e imprevisível".

O colapso da demanda na China, o dólar forte e os ataques terroristas em Paris fizeram de 2015 um ano que o setor de luxo desejaria esquecer, particularmente a Prada.

Seus produtos perderam atratividade e menos de 1 por cento da receita é gerada online, onde as vendas de itens de luxo crescem o dobro do mercado como um todo. O desempenho da Prada entra em contraste com o aumento de 4 por cento nas vendas de artigos de moda e couro pela LVMH.

Menos inaugurações

"A Prada continua com dificuldades após anos de expansão exagerada no varejo e exposição elevada à Ásia", escreveu em relatório a analista Zuzanna Pusz, da Berenberg.

A companhia italiana, que registrou queda da receita de 1 por cento em 2014, reagiu desistindo de abrir lojas e cortando custos e também prometeu subir preços na Europa.

Essas medidas e novas iniciativas comerciais e de marketing "nos permitirão consolidar nossa posição de mercado com margens satisfatórias e retornos sobre o investimento", afirmou a Prada.

A empresa não divulgou números trimestrais, mas adiantou que o desempenho na Itália foi positivo no último trimestre do ano fiscal e que houve alguma melhora na China, que continua negativa.

Os dados de vendas foram apresentados após o fechamento do pregão em Hong Kong, onde as ações da Prada avançaram 1,3 por cento para 24,20 dólares de Hong Kong.

 

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