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Maiores mercados de petróleo dependentes da oferta Oriente Médio

Debjit Chakraborty e Heesu Lee

31/03/2016 15h40

(Bloomberg) -- Mesmo em um mundo repleto de petróleo, os compradores dos maiores mercados mundiais não conseguem escapar de seu vício na oferta do Oriente Médio.

Importações da Coreia do Sul do petróleo do Oriente Médio aumentaram no ano passado para o nível mais alto desde pelo menos 1980, enquanto as refinarias na Índia dizem que estão evitando embarques de portos distantes e recebendo mais cargas do Golfo Pérsico. Arábia Saudita e Omã aumentaram os embarques para a China este ano, com a diminuição dos volumes da Venezuela e da Colômbia para o maior consumidor de petróleo da Ásia.

Enquanto o Oriente Médio fornece mais de 50 por cento das necessidades da Ásia devido à sua proximidade, os compradores na maior região consumidora de petróleo do mundo estão tentando acabar com essa dependência e se proteger contra os riscos geopolíticos. Ainda assim, mesmo que o excesso global tenha atraído cargas provenientes do México ao Mar do Norte e do Alasca, os processadores dizem que as cargas do Golfo Pérsico são irresistíveis por causa de tempo de entrega mais curtos, preços atrativos e a promessa de óleo cuja qualidade as refinarias estão acostumadas.

"Se você está recebendo algo próximo e barato, por que vai comprar longe?", disse B.K. Namdeo, diretor de refinarias da estatal Hindustan Petroleum da Índia. "O Oriente Médio é a fonte mais próxima para o petróleo bruto que precisamos e os preços são bons".

Mais cru

As nações do Oriente Médio, incluindo a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, responderam a um colapso dos preços desencadeada pelo boom de xisto dos EUA, abrindo suas torneiras e pressionando os produtores de maior custo a enfrentar um excesso global. Eles também reduziram os preços oficiais de venda para defender a cota de mercado contra outros fornecedores que procuram vendas na região Ásia-Pacífico, que a Agência Internacional de Energia prevê que serão responsáveis por mais de um terço do consumo global de petróleo este ano.

A Arábia Saudita está vendendo suprimentos de seu Arab Light para abril na Ásia 75 centavos abaixo dos preços de referência do Oriente Médio, em comparação com um prêmio de US$ 3,75 no início de 2014. O Irã, agora livre das sanções internacionais que tinham freado suas exportações, oferecia seu petróleo para compradores na Ásia com um desconto mais profundo do que a Arábia Saudita pela primeira vez em uma década.

Riscos de abastecimento

A Índia está aberta a comprar petróleo dos novos exportadores do mundo, incluindo os EUA, pois quer diversificar as fontes de abastecimento, disse em 28 de março o ministro do Petróleo Dharmendra Pradhan. Isso faz eco aos comentários de 2014, quando ele disse que o país pretende diversificar as compras para se proteger dos riscos geopolíticos ligados a alguns dos maiores fornecedores do mundo.

É necessário que a Coreia do Sul diversifique o fornecimento de petróleo, porque sua significativa dependência do Oriente Médio significa que há um risco que o fornecimento possa ser interrompido se as tensões geopolíticas aumentarem na região, disse um funcionário do Ministério do Comércio, Indústria e Energia do país, na quarta-feira, pedindo para não ser identificado por causa da política interna.

Cortes orçamentários

Além do mais, a estratégia da Organização dos Países Exportadores de Petróleo de espremer outros produtores parece que está funcionando, limitando algumas das opções disponíveis para a Ásia. A IEA alertou que os cortes de investimento por parte dos produtores aumentaram a possibilidade de surpresas com a segurança do petróleo num futuro "não muito distante".