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Próxima onda de calotes corporativos pode surpreender investidor

Claire Boston e Carol Ko

(Bloomberg) -- Quando a próxima onda de calotes corporativos chegar ela poderá prejudicar os investidores mais do que eles esperam.

Os prejuízos sobre títulos de empresas inadimplentes provavelmente serão mais elevados do que nos ciclos anteriores, porque os emissores dos EUA têm mais dívidas em relação aos seus ativos, segundo estrategistas do Bank of America. Esses altos níveis de empréstimos significam que se uma empresa é liquidada, os recursos precisam cobrir mais passivos.

"Temos tido mais dívidas corporativas do que nunca e mais alavancagem do que nunca, o que aumenta o potencial para um prejuízo maior", disse Edwin Tai, gerente de portfólio sênior para investimentos distressed da Newfleet Asset Management.

As taxas de prejuízo já vêm subindo. O potencial de elas subirem ainda mais pode demonstrar que, em geral, os títulos especulativos não estão gerando uma compensação suficiente para os investidores pelo risco que eles estão tomando, disse Michael Contopoulos, estrategista de crédito de alto rendimento do Bank of America Merrill Lynch.

O rendimento médio de um título especulativo dos EUA está atualmente em torno de 8,45%, segundo os índices do Bank of America Merrill Lynch, aproximadamente a média dos últimos 10 anos.

Em tempos ruins os investidores em títulos corporativos perdem em média cerca de US$ 0,70 por dólar quando um tomador de empréstimo vai à falência. No ciclo atual esse número poderia ficar mais próximo de US$ 0,85, disseram os estrategistas.

Pelo menos parte dos prejuízos que os investidores vão experimentar nessa crise foi adiada pela última crise de crédito, que para os emissores corporativos teve uma vida relativamente curta.

Durante a crise financeira o Federal Reserve foi ágil no corte dos juros e os investidores começaram rapidamente a mergulhar de novo nos títulos especulativos, disse Alan Holtz, diretor-gerente de prática de recuperação e reestruturação da AlixPartners, consultoria focada em empresas em dificuldades. Muitas empresas foram capazes de refinanciar dívidas em vez de darem calote.

"Muitas das empresas com problemas que haviam ficado superalavancadas conseguiram encontrar mais soluções temporárias no último ciclo de crédito", disse Holtz. "Esses band-aids já não estão disponíveis e muitas empresas terão que enfrentar as dificuldades", disse ele.

Os níveis de alavancagem vêm subindo à medida que mais empresas usam empréstimos para refinanciar passivos existentes, recomprar ações e adotar outras medidas que não aumentam os valores dos ativos, disse Holtz. O gasto de capital, que não aumenta os ativos, tem sido relativamente baixa neste ciclo.

As empresas de classificação especulativa têm dívidas equivalentes a cerca de 48% de seus ativos agora, contra 7,5% nos últimos sete anos, segundo dados do Bank of America Merrill Lynch. O coeficiente entre dívida e ativos é um dos principais fatores do tamanho dos prejuízos quando um tomador de empréstimo dá calote.

Outro fator é a taxa de inadimplência, porque quando um número maior de empresas dá calote, mais firmas buscam vender ativos ou promover reestruturações, deixando os investidores com recuperações mais baixas.

As taxas de inadimplência atualmente estão em torno de 4%, segundo a Moody's. A agência de classificação projeta que o indicador subirá para 5,05% até o fim do ano no melhor cenário e poderia subir para 14,9%, segundo a projeção mais pessimista.

As taxas de inadimplência e as proporções entre dívida e ativo explicam 75 por cento da variação nas recuperações observadas, disseram estrategistas do Bank of America.

Algumas empresas de energia conseguirão negociar com seus credores para reduzir suas dívidas. Mas uma parte delas tem custos de produção muito altos, mesmo ignorando os custos dos empréstimos, o que dá aos credores poucas opções além de liquidar a empresa.

No caso de muitas empresas liquidadas do setor de energia, "não há muito o que recuperar em termos de dinheiro", disse Leonard Klingbaum, sócio do escritório de advocacia Willkie Farr & Gallagher.

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