Crocodilos alimentados com milho rendem bolsas de luxo melhores

Godfrey Marawanyika e Brian Latham

  • Divulgação

(Bloomberg) -- A Padenga Holdings, maior fornecedora mundial de couro de crocodilo do Nilo para bolsas e sapatos de luxo, está tentando aumentar sua lucratividade alimentando os répteis aquáticos com uma dieta rica em milho e permitindo que tenham mais espaço para crescer.

A dieta e os cercados maiores ajudarão os crocodilos a crescerem mais rapidamente e a melhorar a qualidade de seu couro, disse Oliver Kamundimu, diretor financeiro da Padenga, em entrevista na semana passada na cidade lacustre de Kariba, no Zimbábue, sede da empresa, perto de suas fazendas. O lado negativo para os crocodilos é que eles serão abatidos a cada dois anos e meio, e não a cada três, disse ele.

"Nos próximos 12 a 18 meses nosso foco será aumentar a instalação sem expandir drasticamente os volumes", disse Kamundimu. Os crocodilos "são alimentados com pellets de farinha de peixe, vitaminas, minerais e milho. Tem funcionado bem para nós: as taxas de crescimento melhoraram e os crocodilos estão mais felizes".

Bolsas da Prada

A Padenga abateu mais de 46.000 crocodilos de suas criações no norte do Zimbábue no ano passado para atender a demanda mundial por couro. O maior mercado para o couro da empresa é a Itália, sede de fábricas de produtos de luxo como a Prada, que vende uma bolsa de couro de crocodilo e píton por 2.900 libras (US$ 4.098). As vendas de carne de crocodilo da Padenga na Europa aumentaram 25% em 2015, ajudando a empresa a impulsionar os lucros.

A Padenga compete com criações de crocodilo da Zâmbia e da África do Sul, onde os animais de cativeiro muitas vezes são alimentados com frango.

A Padenga também possui uma fazenda de criação de jacarés no Texas, EUA, onde a produção caiu pela metade no ano passado porque a empresa adiou o abate para melhorar a qualidade do couro.

"A operação americana está em uma curva de aprendizado e tanto o volume quanto o faturamento caíram drasticamente no ano passado", disse Kamundimu. "Neste ano começaremos a reconstruir o negócio após promover mudanças na direção".

A Padenga responde por 85% do fornecimento mundial de couro de crocodilo do Nilo para marcas de luxo, segundo seu site. Os crocodilos do Nilo, nativos da África, podem chegar a ter 6 metros de comprimento e pesar até 900 quilos.

O lucro líquido da empresa em 2015 subiu para US$ 7 milhões, contra US$ 6,4 milhões no ano anterior. O preço de suas ações na Bolsa de Valores do Zimbábue caiu 19% neste ano, para 7 centavos, dando à empresa um valor de mercado de US$ 38 milhões. A empresa poderá se expandir para a Zâmbia, disse Kamundimu.

"Temos uma certa sorte pelo fato de o nosso negócio ser quase 100 por cento exportação ao exterior, por isso não somos afetados pelas fragilidades do Zimbábue", disse Kamundimu em referência à crise econômica que fez a economia do país encolher pela metade desde 2000.

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