Fracasso de Doha expõe fundos que apostaram na alta do petróleo

Mark Shenk

(Bloomberg) -- Os hedge funds realmente queriam que a cúpula do petróleo de Doha desse certo.

Os gestores de recursos mantiveram as apostas no aumento dos preços em um nível próximo à maior alta em nove meses nos dias que antecederam a reunião dos países produtores de petróleo, no domingo.

Mas as negociações entre os membros da Opep e os demais países produtores terminaram sem acordo para a limitação à produção. O motivo é que a Arábia Saudita e outras nações do Golfo Pérsico informaram que não concordariam com nenhum acordo sem a adesão de todos os membros do grupo exportador de petróleo, incluindo o Irã. Os futuros do petróleo dos EUA em Nova York caíram 6,8 por cento, para US$ 37,61 o barril, na segunda-feira.

O fracasso da primeira tentativa significativa em 15 anos entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e as nações de fora do grupo de coordenar a oferta de petróleo ameaça desfazer um ganho de mais de 30 por cento nos preços nos EUA desde que os sauditas e a Rússia anunciaram um plano preliminar em meados de fevereiro.

"Os especuladores tinham a expectativa de que o acordo estaria praticamente assinado na quinta ou na sexta-feira", disse Bob Yawger, diretor da divisão de contratos futuros da Mizuho Securities USA em Nova York. "Começamos a vê-los sair quando a discussão morreu".

Depois que o barril subiu para US$ 42,17 em 12 de abril na Bolsa Mercantil de Nova York, os preços do petróleo West Texas Intermediate caíram durante três dias, até sexta-feira, em meio às dúvidas de que se chegaria a uma decisão, enquanto o Irã, que está ampliando as exportações de petróleo após o cancelamento das sanções mantidas durante anos, em janeiro, descartava limitar sua produção.

Pegos de surpresa

A perspectiva de que os produtores possam limitar a oferta gerou otimismo de que os preços haviam atingido o nível mais baixo. A posição comprada dos hedge funds em futuros e opções WTI é mais de duas vezes maior que há dois meses, após aumentar 11 por cento na semana que terminou em 12 de abril, mostram dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC, na sigla em inglês).

"Todos esses gestores de recursos que esperavam o congelamento da produção foram pegos desprevenidos", disse Abhishek Deshpande, analista da Natixis em Londres, em entrevista à Bloomberg Television. "Claramente eles venderão tudo ou deixarão isso de lado pelo menos até que os preços encontrem novamente um piso".

A queda dos preços após o fracasso do acordo poderá ser moderada porque a produção de petróleo do Kuwait caiu 60 por cento depois que os petroleiros entraram em greve no domingo. A produção local caiu para 1,1 milhão de barris por dia, segundo Saad Al-Azmi, porta-voz da Kuwait Oil, contra 2,81 milhões no mês passado.

Queda do xisto

Os mercados internacionais de petróleo irão "se aproximar do equilíbrio" no segundo semestre do ano à medida que os preços mais baixos causarem impacto sobre a produção de fora da Opep, disse a Agência Internacional de Energia em um relatório em 14 de abril. O excesso global diminuirá para 200.000 barris por dia nos últimos seis meses do ano, contra 1,5 milhão no primeiro semestre, disse a AIE. A produção do xisto dos EUA poderá atingir no mês que vem o nível mais baixo em quase dois anos, estimou a Administração de Informação de Energia dos EUA em 11 de abril.

"Temos visto uma mudança no sentimento", disse Michael Lynch, presidente da Strategic Energy & Economic Research em Winchester, Massachusetts, nos EUA. "Existe um otimismo em relação ao aperto do mercado e um sentimento de que ele ocorrerá, mais cedo ou mais tarde".

As posições compradas dos especuladores no WTI aumentaram em 20.857 contratos de futuros e opções combinados, para 215.630, mostram dados da CFTC. As posições vendidas, que são as apostas na queda dos preços, caíram 18 por cento, enquanto as compradas subiram 0,8 por cento.

"Não estamos vendo um aumento drástico daqueles que pensam que o mercado subirá muito mais", disse Tim Evans, analista de energia do Citi Futures Perspective em Nova York. "Tratava-se de investidores que estavam cobrindo sua vulnerabilidade" a uma alta, disse ele.

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