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Goldman diz que minério de ferro vai 'voltar para US$ 35'

Jasmine Ng

(Bloomberg) -- O Goldman Sachs tem um conselho para dar depois da impressionante recuperação do minério de ferro nesta semana: vender.

"Achamos que esse mercado vai voltar para US$ 35 durante o quarto trimestre", disse o analista Christian Lelong em uma entrevista. A projeção é 50 por cento menor que o valor do fechamento na quinta-feira, de US$ 70,46 a tonelada seca, o patamar mais alto desde janeiro de 2015. "Projetamos que o excesso de oferta no mercado de minério de ferro vai voltar".

O minério de ferro disparou em 2016 em contraste com os três anos anteriores, quando a desaceleração da economia chinesa prejudicou a demanda e a oferta aumentou. Neste ano, as autoridades chinesas injetaram estímulos e conduziram uma recuperação do mercado imobiliário que fortaleceu o panorama do consumo e dos preços do aço. No entanto, a produção crescente e a estagnação do crescimento da demanda poderiam fazer com que os preços caiam novamente, de acordo com Lelong.

"Analisando o segundo semestre do ano, o que será necessário para absorver toda essa oferta de minério de ferro?", disse Lelong, de Nova York, em uma entrevista por telefone de Londres na quinta-feira. A projeção de US$ 35 refere-se à média de preços do último trimestre e reproduz o valor dado pelo banco em relatórios recentes. "Vai ser muito difícil ter uma demanda no setor siderúrgico da China forte o bastante para manter o equilíbrio".

Recuperação do aço

O minério com 62 por cento de conteúdo entregue em Qingdao caiu 5,9 por cento, para US$ 66,33 na sexta-feira, após uma alta de 8,8 por cento da quinta-feira, segundo dados da Metal Bulletin. Desde que atingiu o piso de US$ 38,30 em dezembro, o minério de ferro teve uma recuperação de 73 por cento, surpreendendo muitos analistas que tinham previsto mais quedas.

Em um relatório nesta sexta-feira, analistas da Goldman, incluindo Lelong, disseram que embora o rali do vergalhão na China estivesse "encabeçando a mudança" na recuperação das commodities, o banco não projetava uma alteração sustentável nos fundamentos das matérias-primas antes do terceiro trimestre. "O mercado de aço ajustado na China é uma distração passageira" para o minério de ferro, disse o banco. "A recuperação atual é insustentável".

Nem todos estão pessimistas. Há margem para que o minério suba mais porque a recuperação do aço na China provavelmente vai durar o restante do trimestre, de acordo com o Credit Suisse. Caso a demanda por infraestrutura absorva o crescimento da produção siderúrgica, os preços poderiam ser respaldados durante o ano, disse o banco na quinta-feira.

Produção recorde

A economia chinesa ganhou ritmo em março, quando o aumento do crédito ajudou o setor imobiliário a se recuperar e o valor dos imóveis nas cidades de primeira linha disparou. Siderúrgicas chinesas, que produzem metade do aço do mundo, registraram um recorde de produção no mês passado e os preços mais altos do aço melhoraram as margens, o que reverteu o ajuste.

"Quando analisamos a lucratividade das usinas siderúrgicas, passamos dos valores mais baixos em vários anos no ano passado para o valor mais alto em vários anos nas últimas semanas. É uma variação enorme", disse Lelong. "As margens estão tão atraentes que dá para pagar preços cada vez mais altos pelas matérias-primas. Isso significa que o minério de ferro agora está muito acima" da curva de custos, disse ele.

Até as mineradoras projetam que os preços recuarão. Mike Henry, presidente das operações de minerais na Austrália da BHP Billiton, disse à Bloomberg Television na quinta-feira que está chegando mais produção de baixo custo e que "os preços cairão novamente". Sam Walsh, da Rio Tinto Group, disse na semana passada que os preços "podem abrandar no segundo semestre".

Mais oferta dos dois principais exportadores está a caminho. As cargas provenientes da Austrália podem aumentar 10 por cento neste ano, para 846 milhões de toneladas, estima o Departamento da Indústria, Inovação e Ciência desse país. Esse órgão também disse que as exportações brasileiras vão aumentar cerca de 7 por cento, para 393 milhões de toneladas.

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