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Buffett volta ao chão de fábrica com US$ 35 bi em aquisições

Noah Buhayar

(Bloomberg) -- Quando Warren Buffett assumiu o controle da Berkshire Hathaway, em meados dos anos 1960, a empresa não passava de uma fabricante têxtil em dificuldades. Após tentar recuperá-la durante anos, ele decidiu fechar as plantas e concentrar seu foco em outros setores.

Atualmente, devido a esses esforços, a Berkshire é uma das empresas mais valiosas do mundo. A empresa está nos ramos de seguro, energia, transporte, varejo e, cada vez mais, na manufatura.

O bilionário vem ampliando o segmento de sua empresa que produz itens de todo tipo, de camisetas a tijolos. Em janeiro, ele concluiu a aquisição da Precision Castparts, fornecedora dos setores aeroespacial e de energia, por US$ 32,7 bilhões. E um mês depois fechou a compra da fabricante de baterias Duracell por mais de US$ 2 bilhões.

Esses negócios fazem parte de uma evolução maior da Berkshire, que será exibida na reunião anual dos acionistas, neste fim de semana, em Omaha, Nebraska, nos EUA. Em seus primeiros anos à frente da empresa, Buffett se concentrou no investimento em ações usando recursos mantidos pelas unidades de seguros. Mais recentemente, procurou uma diversificação por meio da compra de empresas inteiras. Diversas delas exibirão seus produtos em uma sala de exposição anexa à reunião.

'Lista'

Embora as últimas aquisições sejam de fabricantes, esse movimento pode ter sido impulsionado pelas circunstâncias, e não por uma "grande estratégia", disse David Rolfe, diretor de investimento da Wedgewood Partners, que administra US$ 8,5 bilhões, incluindo ações da Berkshire. A aquisição da Duracell fez parte de um swap de ações com a Procter & Gamble para economia de impostos. E a aquisição da Precision Castparts foi realizada após a queda das ações da fabricante em meio à demanda menor dos clientes no setor de petróleo e gás.

"Ele tem uma lista na cabeça de empresas que gostaria de ter e que fariam a diferença", disse Rolfe sobre Buffett. "Se calhar de ser outra empresa no setor de manufatura, então que seja".

As novas empresas provavelmente serão um dos principais motores do lucro da Berkshire neste ano. Em fevereiro, Buffett disse aos acionistas estimar que o lucro dos segmentos de manufatura, serviços e varejo "crescerá substancialmente em 2016 à medida que a Duracell e a Precision Castparts entrarem para o rebanho".

Analistas do UBS Group estimam que a fornecedora aeroespacial, sozinha, contribuirá com US$ 2,59 bilhões em lucros antes de impostos neste ano. Em 2015, os negócios de manufatura da Berkshire -- que também incluem uma empresa química, uma fabricante de ferramentas e a Fruit of the Loom -- produziram US$ 4,89 bilhões em lucros antes de impostos. A contribuição da Duracell para o grupo poderia ser de até US$ 350 milhões por ano depois de impostos, segundo Jim Shanahan, analista da Edward Jones.

'Múltiplo mais forte'

Ambas as aquisições provavelmente beneficiarão os investidores, disse ele. Um mês antes da conclusão da aquisição da Precision Castparts, a empresa de Buffett possuía mais de US$ 70 bilhões em dinheiro que não rendiam quase nada. Com a aquisição de fabricantes a Berkshire terá uma porção maior de lucro de um setor que os investidores valorizam muito, disse Shanahan.

"À medida que se diversificam, distanciando-se do ramo de seguros e somando mais manufatura, no geral os lucros garantem um múltiplo mais forte", disse ele. "Isto é favorável para a avaliação".

A Berkshire subiu 11 por cento neste ano até terça-feira, superando o aumento de 2,3 por cento do Standard & Poor's 500. A empresa deverá divulgar seus resultados completos do primeiro trimestre apenas em 6 de maio, mas é possível que Buffett ofereça um retrato na reunião anual.

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