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Piora da crise de crédito no país atinge lucro dos bancos

Cristiane Lucchesi e Francisco Marcelino

(Bloomberg) -- A piora na crise de crédito corporativo no Brasil está forçando os maiores bancos do país a registrar perdas que vinham sendo capazes de evitar até agora.

O Banco Bradesco, o segundo maior do país em valor de mercado, fez uma provisão de R$ 836 milhões (US$ 240 milhões) no primeiro trimestre para cobrir empréstimos para a operadora de plataformas de petróleo Sete Brasil Participações, disse uma pessoa com conhecimento direto do assunto na quinta-feira (28), pedindo anonimato porque a informação não é pública. O lucro caiu 3,7%.

O Itaú Unibanco, maior banco brasileiro em valor de mercado, e o Banco do Brasil, o número um em ativos, podem ser os próximos.

O Itaú, que divulgará o balanço do primeiro trimestre na terça-feira, tomou em fevereiro recursos do FGCN, o fundo naval, como garantia para empréstimos que a Sete Brasil não conseguiu honrar junto ao banco.

O Banco do Brasil possui uma exposição de cerca de R$ 4 bilhões à Sete Brasil e ainda não provisionou recursos para todo esse valor, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

"Esse aumento nas provisões do Bradesco aumenta a expectativa em relação ao balanço do Itaú na semana que vem", disse Max Bohm, analista da Empiricus Independent Research em São Paulo. "O balanço do Bradesco acende o sinal de alerta do que pode vir nos próximos trimestres, sobretudo quando você olha para a inadimplência de 60 dias".

Contas em atraso

A inadimplência no Brasil vem aumentando com as empresas e famílias lutando contra a pior recessão do país em um século.

A taxa de empréstimos atrasados há mais de 90 dias se manteve em março em 3,5%, o nível mais elevado em três anos, segundo dados do Banco Central.

O número do Bradesco subiu para 4,2% no primeiro trimestre, contra 3,6% no mesmo período do ano anterior. A taxa de 60 dias do banco subiu 0,8 ponto percentual, para 5,3%.

As empresas brasileiras estão tendo dificuldades para honrar seus pagamentos devido à crise econômica, que já dura dois anos, aos juros elevados, à queda dos preços das commodities e à moeda desvalorizada, fatores que, combinados, prejudicam os lucros e as receitas.

A presidente Dilma Rousseff enfrenta um processo de impeachment e a crise política, cada vez pior, paralisou as reformas para reativar a economia.

Sete Brasil

A Sete Brasil possui R$ 18 bilhões em dívida total, principalmente com bancos locais. Suas finanças foram destruídas quando a Petrobras reduziu um contrato de leasing (aluguel) de plataformas de 28 para 10 depois da queda do petróleo e da operação Lava Jato.

Em 20 de abril, os acionistas da Sete Brasil decidiram pedir recuperação judicial, disse um representante da empresa na ocasião, sem dar detalhes sobre os credores e o cronograma estimado.

A Caixa Econômica Federal possui exposição de R$ 1,7 bilhão à Sete Brasil. A do Bradesco é de cerca de US$ 450 milhões.

Riscos ocultos

Em vez de constituírem provisões, muitos bancos brasileiros vêm reestruturando empréstimos, o que poderia mascarar o crescente risco dos ativos, disse a agência de clasificação de risco Moody's em um relatório de 11 de abril.

As reestruturações aumentaram 37% no fim de 2015 em relação ao ano anterior. Isso pode estar subestimando a inadimplência e superdimensionando a cobertura com provisões, disse a agência de classificação.

Representantes do Bradesco, do Banco do Brasil, da Caixa e do Itaú preferiram não comentar a respeito da Sete Brasil.

Os fundos de pensão estatais dos trabalhadores da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica possuem cerca de 38% da Sete Brasil e seus prejuízos dependeriam das provisões anteriores, disse uma das pessoas. O Banco Santander Brasil também é acionista da empresa.

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