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Problemas de títulos de bancos estatais do Brasil deverão piorar

Filipe Pacheco, Chiara Vasarri e Ye Xie

(Bloomberg) -- Depois de ampliarem a oferta de crédito a pedido da presidente Dilma Rousseff, os bancos estatais do Brasil poderão enfrentar mais problemas no futuro.

O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES estão vendo os custos dos empréstimos subirem no mercado de títulos em relação aos de seus pares do setor privado no momento em que a mais longa recessão brasileira em um século está provocando o aumento da inadimplência.

Os bancos estatais estão mais vulneráveis aos problemas do Brasil após terem ampliado o crédito a uma média anual de 14,1% entre 2012 e 2015 enquanto Dilma, que enfrentará uma votação de impeachment no Senado neste mês, tenta, sem sucesso, reanimar o crescimento na maior economia da América Latina. O aumento contrasta com o de menos de 1% de bancos privados, como Itaú Unibanco e Bradesco.

"O pior está por vir" para os bancos estatais do Brasil, disse Alejandro García, chefe para instituições financeiras latino-americanas da Fitch Ratings.

As assessorias de imprensa do Banco do Brasil e da Caixa informaram que os bancos não comentariam o assunto porque estão em período de silêncio. A assessoria do BNDES disse em nota que o banco historicamente conta com baixos níveis de inadimplência, abaixo da média de seus pares. O banco implementa uma rígida análise de risco de crédito e estima que a inadimplência permanecerá em níveis baixos, segundo o comunicado.

Durante os cinco anos de governo de Dilma, os bancos superaram seus pares do setor privado como os maiores fornecedores de crédito do Brasil, em grande parte por meio de financiamentos subsidiados para programas sociais. Entre eles, está o programa de financiamento imobiliário "Minha Casa, Minha Vida", popular entre brasileiros de baixa renda, implementado principalmente pela Caixa.

O BNDES -- cuja carteira de empréstimos, de US$ 200 bilhões, é maior que a do Banco Mundial -- geralmente concede crédito com juros 6,75 pontos percentuais mais baixos que a taxa básica do país, atualmente em 14,25%.

Os bancos públicos historicamente foram incentivados pelo governo a emprestar sob taxas mais favoráveis do que alguns bancos privados", disse Arjun Bowry, analista da Bloomberg Intelligence. "Os bancos privados têm sido proativos no corte de linhas de crédito de risco".

Os bancos estatais estão ampliando as provisões para cobrir os empréstimos inadimplentes, que estão no patamar mais elevado desde maio de 2009 devido ao desemprego gerado pela recessão. Em março, o país registrou seu 12º mês seguido de queda do nível de emprego, sequência mais longa desde o início do monitoramento da geração de empregos formais pelo governo, em 2003.

A economia brasileira encolherá 3,7% neste ano após uma retração de 3,8% em 2015, segundo a mediana das projeções de 40 analistas consultados pela Bloomberg.

"Dada sua exposição sem precedentes aos mercados de crédito do País, no varejo e no atacado, os desafios que eles enfrentarão nos próximos anos são muito maiores que o das recessões das décadas de 1980 e 1990", disseram os analistas Edgard Dias e Sergio Garibian, da S&P Global Ratings, em um relatório de 26 de abril.

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