Petroleiras aguardam 'preço sustentado' para aumentar produção

Aaron Clark, Stephen Stapczynski e Yuji Okada

(Bloomberg) -- O rali atual do preço do petróleo vai estimular as petroleiras multinacionais a aumentar sua produção somente se parecer sustentável, segundo o secretário de Energia dos EUA.

"Tivemos um aumento recente nos preços, mas não acredito que as decisões de investimento de capital serão influenciadas enquanto as pessoas não estiverem convencidas de que se trata de um aumento muito mais sustentado", disse Ernest Moniz em entrevista na terça-feira em Tóquio.

O petróleo subiu após tocar o menor valor em 12 anos no início do ano, oferecendo um lampejo de esperança para as produtoras, que reduziram investimentos e fecharam campos de exploração de alto custo. A Agência Internacional de Energia projeta que a produção de fora da Opep cairá 700.000 barris por dia neste ano.

A produção dos EUA caiu em 13 das últimas 14 semanas, estendendo seu declínio após atingir, no ano passado, o maior nível em mais de 40 anos. A produção do país aumentou nesta década quando uma nova tecnologia de perfuração abriu a possibilidade de produção das reservas de xisto.

"Continua havendo potencial para aumentar a produção ainda mais com um sinal de preço sustentado", disse Moniz.

Cortes de gastos

As empresas petroleiras multinacionais cortaram mais de US$ 100 bilhões em investimentos no ano passado em meio à queda dos preços. Isso contrasta com os esforços dos membros da Opep Arábia Saudita, Kuwait e Irã para manter ou aumentar investimentos em oferta futura para expandir a participação de mercado em um momento de aumento da demanda internacional.

Os EUA produzirão entre 8 milhões e 10 milhões de barris de petróleo por dia, segundo Moniz.

O petróleo West Texas Intermediate subiu mais de 70 por cento depois de atingir o nível mais baixo desde 2003 no início do ano em meio a sinais de que o excedente global diminuirá com a queda da produção americana. Os preços caíam 0,8 por cento, para US$ 44,42 o barril, às 10h22, pelo horário de Londres.

A oferta e a demanda de petróleo provavelmente se reequilibrarão em cerca de um ano "exceto por qualquer surpresa", disse Moniz nesta terça-feira no Japão, onde participou de uma reunião de ministros de Energia do Grupo dos Sete. Mesmo depois de o mercado se equilibrar ainda haverá um grande estoque "que será consumido ao longo do tempo", disse ele.

Os investimentos na produção de petróleo e gás deverão cair 18 por cento neste ano após um declínio de 24 por cento em 2015, disse Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, em apresentação em abril.

Os ministros do G-7 disseram na segunda-feira que seus países promoverão investimentos em projetos do setor de energia durante a queda do preço do petróleo para garantir um fluxo estável de oferta.

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