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Rali de commodities na China chega ao fim após dados ruins

Alfred Cang

(Bloomberg) -- Não há nada como os fatos para acabar com histórias fantásticas.

Os preços de diversos produtos, das barras de reforço de aço (rebar) ao algodão, estão prolongando perdas na China porque uma sequência de dados pessimistas acelera a reversão de um rali desencadeado no mês passado pela especulação de que o estímulo econômico e as reformas industriais impulsionariam a demanda e reduziriam a oferta.

Os futuros do aço em Xangai sofreram a maior queda desde o começo do trading em 2009 por causa do aumento dos estoques, e o minério de ferro em Dalian chegou a afundar 7,1 por cento e estendeu o recuo do valor mais alto em 13 meses depois que dados mostraram que os estoques nos portos da China chegaram ao patamar mais alto em mais de um ano. O algodão na Bolsa de Commodities de Zhengzhou, que tinha se disparado para o valor mais alto em 11 meses, recuou 1,5 por cento depois que a China vendeu oferta de suas reservas. O cobre perdeu 2,1 por cento porque as importações do país diminuíram após chegar a um patamar recorde.

"Agora os investidores estão analisando os fundamentos mais minuciosamente", disse Zhang Yu, analista sênior da Yongan Futures, em entrevista por telefone de Hangzhou. "Embora os estoques tenham acumulado com a disparada dos preços, os dados recentes não conseguiram convencer as pessoas de que a economia real da China está chegando ao fundo do poço e de que trará a demanda de volta".

Disparada

O rali do mês passado foi acompanhado por uma disparada nos volumes de trading, e 1,7 trilhão de yuans (US$ 261 bilhões) em futuros de commodities mudaram de mãos em um único dia. Isso gerou comparações com o rali do mercado acionário em 2015, impulsionado pelo crédito, que precedeu uma queda de US$ 5 trilhões e levou as bolsas a aumentar as tarifas por transação e as margens em meio a pedidos das autoridades reguladoras para limitar a especulação.

Quando as bolsas intervieram, os volumes de negociação diminuíram. Cerca de 20 milhões de contratos de diversos produtos, como ovos e aço, mudaram de mãos na Bolsa de Commodities de Dalian, na Bolsa de Commodities de Zhengzhou e na Bolsa de Futuros de Xangai na sexta-feira, em contraste com o pico de 80,6 milhões de contratos no dia 22 de abril.

Os futuros do minério de ferro em Dalian afundaram nesta segunda-feira para 388 yuans por tonelada, e o rebar, utilizado para reforçar concreto, recuou devido ao limite imposto pela Bolsa de Futuros de Xangai, para 2.175 yuans por tonelada. O carvão de coque, empregado na fabricação de aço, chegou a cair 6,3 por cento, para 650,50 yuans por tonelada, e o cobre recuou para 35.840 yuans por tonelada. O algodão, do qual no mês passado negociou-se em um único dia uma quantidade suficiente para fabricar uma calça jeans para cada pessoa do mundo, chegou a perder 3,9 por cento, para 11.865 yuans por tonelada.

Estoques

Os estoques de minério de ferro nos portos da China cresceram 1,4 por cento na semana passada e atingiram o nível mais alto desde março de 2015, segundo dados da Shanghai Steelhome Information Technology, e os estoques de rebar aumentaram pela primeira vez em nove semanas. As importações de cobre em formas brutas e em produtos recuaram de 570.000 toneladas em março para 450.000 toneladas no mês passado, mostraram dados alfandegários da China no domingo, porque o crescimento dos estoques desestimulou as remessas.

O minério com 62 por cento de conteúdo entregue a Qingdao despencou 5,7 por cento, para US$ 54,99 por tonelada seca, segundo a Metal Bulletin.

"Os preços foram afetados pelo crescimento da oferta física em um contexto de vendas com leilões de reservas", disse Li Qiannan, analista do algodão da Galaxy Futures em Pequim. "As quedas nos futuros do aço na China diminuíram a confiança no mercado geral de futuros hoje e provocaram a queda de todos os produtos".

(Com a colaboração de Winnie Zhu Feiwen Rong e Jasmine Ng)

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