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Com queda do yuan frente ao iene, dor do BC do Japão vira ganho da China

Justina Lee

(Bloomberg) -- O sofrimento de Haruhiko Kuroda está beneficiando a China.

Os esforços do presidente do Banco do Japão (BOJ) para reforçar o crescimento econômico têm sido minados pela alta do iene, que superou todos os outros pares asiáticos neste ano e levou as fabricantes de veículos a projetarem lucros menores que os estimados.

Isto beneficia a China depois que o yuan caiu neste mês, atingindo o nível mais baixo em relação ao iene desde 2014. O maior exportador do mundo registrou um segundo mês seguido de aumento das vendas ao exterior em abril.

Para o Bank of America e o HSBC, a alta do iene em relação ao yuan deverá continuar porque o Banco Popular da China está em posição mais forte para manter o controle sobre sua moeda do que o Banco do Japão. As taxas de juros do Japão já estão abaixo de zero, enquanto os custos dos empréstimos na China são os mais altos entre as sete maiores economias do mundo.

"A política monetária japonesa está engessada, a menos que seja adotada uma abordagem muito mais radical", disse Claudio Piron, codiretor de estratégia cambial e juros do Bank of America em Cingapura. "A China não precisa sequer recorrer a algo tão exótico quanto a flexibilização quantitativa e a medidas pouco ortodoxas como as do Japão".

Depois que anos de baixos custos dos empréstimos não foram suficientes para reanimar o crescimento japonês, Kuroda lançou um programa de compra de títulos em abril de 2013, o ampliou em outubro do ano seguinte e adotou taxas de juros negativas em janeiro.

Preocupação com crescimento

Embora as primeiras medidas do presidente do banco central tenham conseguido derrubar o iene até junho passado, a moeda japonesa ganhou força desde então em meio ao nervosismo quanto ao crescimento global fraco e à redução das apostas nos aumentos dos juros pelo Federal Reserve.

Kuroda surpreendeu os mercados ao evitar ampliar o programa de estímulos em uma reunião, no mês passado, levando o iene ao seu maior ganho em seis anos.

Valorizada, a moeda japonesa começa a prejudicar os exportadores do país. A Honda Motor disse na semana passada que o lucro no período do ano até março de 2017 será inferior à estimativa média de 574,2 bilhões de ienes (US$ 5,2 bilhões) de uma pesquisa da agência de notícias Bloomberg com analistas, enquanto a Nissan Motor projeta um lucro anual com poucas mudanças depois que o iene valorizado minou os lucros no exterior.

As exportações do Japão caíram a cada mês no período de seis meses até março, enquanto as vendas da China ao exterior subiram 4,1% em yuans em abril. As empresas dos dois países competem nos mercados internacionais.

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