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Baque duplo na China: escassez de fundos e decisão do Fed

Bloomberg News

(Bloomberg) -- O mercado de empréstimos de curto prazo de Xangai se prepara para um aumento dos custos de captação. A recuperação econômica alimentada por crédito coincide com a perspectiva de juros maiores nos EUA em junho, mês em que historicamente os recursos ficam escassos na China.

A taxa overnight de empréstimos interbancários registrou média de 1,99% em maio, vindo de 1,18% um ano atrás, diante de saídas de capital motivadas pela depreciação do yuan por causa do aperto monetário pelo banco central americano.

Desde 2011, houve elevação dos custos de captação todo mês de junho, porque as instituições financeiras acumulam depósitos em antecipação a exigências de verificação regulatória de fim de trimestre.

O custo de definição de taxas no mercado de swaps está disparando, em reação a dados que mostram que o setor imobiliário lidera a retomada dos investimentos na segunda maior economia do mundo.

"Em conjunto, fatores internos e externos certamente vão intensificar a pressão sobre o mercado de empréstimos de curto prazo em junho, elevando as taxas de juros", disse Liu Dongliang, analista sênior em Shenzhen do China Merchants Bank Co., o sexto maior do país. "Não estamos otimistas em relação ao mercado de renda fixa no curto prazo."

Uma situação de escassez de recursos agravaria um movimento de perdas que levou ao cancelamento de ofertas de títulos somando 190,6 bilhões de yuans (US$ 28,9 bilhões) no trimestre, dificultando o refinanciamento de uma quantia recorde de dívidas prestes a vencer.

A taxa overnight tem acompanhado a depreciação da moeda local ao longo do último ano, depois de atingir o menor patamar em seis anos. A saída de recursos no último ano é estimada em US$ 1 trilhão, de acordo com uma métrica compilada pela agência de notícias Bloomberg.

O yuan perdeu 1,5% em maio, após a comandante do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Janet Yellen, afirmar que evidências de que a economia americana está forte podem levar ao aumento dos juros nos EUA nos próximos meses.

A probabilidade de alteração dos juros pelo Fed em junho passou de 12% no fim de abril para 24% atualmente, enquanto o prêmio exigido pelos investidores para deter títulos soberanos da China com prazo de um ano em vez de títulos do Tesouro americano é o mais baixo em sete semanas.

O Banco Popular da China tem motivos para manter as condições monetárias relativamente apertadas, em meio a esforços para controlar a depreciação do yuan, limitar a concessão exagerada de empréstimos pelos bancos e segurar a inflação.

O banco central chinês afirmou em artigo publicado na semana passada no China Business News que vai criar um ambiente monetário neutro e adequado. Os comentários vieram após dados mostrando que o índice de preços ao consumidor manteve em abril a terceira alta consecutiva de 2,3% em 12 meses, ritmo que não era observado desde meados de 2014.

"Há algum tempo as condições vêm se alinhando para taxas de juros maiores em yuans", disse Eugene Leow, estrategista de juros em Cingapura do DBS Bank Ltd.

"Expectativas maiores de inflação devido à recuperação dos preços das commodities, a precificação de um prêmio para necessidades regulatórias e a perspectiva de aumentos de juros pelo Fed reverteram a tendência de queda dos juros locais."

--Com a colaboração de Ling Zeng e Yuling Yang 

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