Aposta em estímulos beneficia títulos de emergentes após Brexit

Maciej Onoszko, Natasha Doff e Xola Potelwa

(Bloomberg) -- Os investidores em títulos dos países emergentes mais sensíveis à saída do Reino Unido da União Europeia acabaram se beneficiando com as convulsões financeiras.

Como os títulos subiram após a forte queda registrada imediatamente após o referendo, os yields das notas turcas de 10 anos ficaram abaixo de onde estavam antes do resultado do referendo britânico em 24 de junho. A taxa sobre títulos romenos de vencimento similar atingiram o menor valor em dois meses na quarta-feira, enquanto os yields das notas sul-africanas registraram a maior queda entre os mercados emergentes depois do Brasil. Na Polônia, um dos países mais expostos ao chamado risco do Brexit, os títulos também subiram pelo terceiro dia.

Os investidores estão apostando que os bancos centrais de todo o mundo responderão à volatilidade pós-referendo e às ameaças ao crescimento com estímulos monetários, incluindo a expansão do programa de aquisições de ativos da Europa e o congelamento do plano de elevação das taxas de juros do Federal Reserve. Isto colocou os holofotes sobre os países que oferecem o melhor refúgio para juros próximos de zero ou negativos.

"Os títulos estão subindo com as expectativas de que o Fed manterá a posição atual por mais tempo e de expansão da flexibilização quantitativa do Banco Central Europeu", disse Koon Chow, estrategista da Union Bancaire Privée, que administra US$ 112 bilhões em ativos, em Londres. "Os riscos de piora do crescimento na zona do euro são uma razão para ser mais dovish quanto à política monetária na Europa Central, no Leste Europeu, na África do Sul e na Turquia".

Os títulos soberanos poloneses em moeda local oferecem um "valor relativo", disse Chow, recomendando posições overweight para Rússia, Indonésia e Brasil em um portfólio diversificado.

Sensível ao risco

Os títulos desses países ainda estão sujeitos a riscos que ameaçam a alta. Os estados-membros da UE no Leste Europeu, como Polônia e Romênia, são vulneráveis à saída do Reino Unido do bloco porque recebem ajuda financeira de um orçamento que tem o Reino Unido como terceiro maior colaborador líquido.

A Turquia depende de investimento estrangeiro para financiar um déficit em conta-corrente, deixando seus mercados sensíveis à volatilidade global, enquanto a Alemanha e o Reino Unido são os principais destinos de suas exportações. O impacto do Brexit sobre a África do Sul se reflete principalmente nos preços das matérias-primas que o país exporta.

"Se você quer ter yields, e muitos investidores precisam de rendimento, é preciso assumir mais riscos", disse Viktor Szabo, gestor de recursos da Aberdeen Asset Management, que administra cerca de US$ 10 bilhões em ativos de países em desenvolvimento. Szabo disse que mantém posição neutra para os títulos sul-africanos. "Os mercados emergentes parecem oferecer uma oportunidade bastante considerável mesmo após o Brexit".

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