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Análise: Fator positivo para ouro vai de encontro à normalidade

David Fickling

(Bloomberg) -- Um dos maiores desafios para o ouro como investimento é que, assim como o dinheiro vivo, ele não gera receita.

Se existem por aí títulos e ações que oferecem rendimentos com juros e dividendos para compensar o risco de qualquer queda no valor de capital, por que optar por um metal brilhante que é uma mera aposta nas oscilações dos preços?

Bom, sobre esses rendimentos:

Como as taxas de juros negativas estão se tornando cada vez mais o padrão de normalidade nos países desenvolvidos, um dos principais fatores desfavoráveis para o ouro como investimento está perdendo força.

Cerca de US$ 9,2 trilhões em títulos soberanos estão sendo negociados com rendimentos negativos, de acordo com dados compilados pela agência de notícias Bloomberg, e algumas empresas de primeira linha estão entrando no jogo.

Por que alguém concordaria em pagar pelo privilégio de emprestar dinheiro?

Esta ideia não é tão esdrúxula quanto parece. Medida em termos do retorno total -- o preço do título subjacente, mais o rendimento dos pagamentos de cupom -- a dívida soberana vem subindo de modo constante há cinco anos, pouco perturbada pela adoção das taxas de juros negativas na zona do euro e no Japão.

Vale a pena parar um pouco para refletir o quanto essa situação ficou estranha. Mais que ativos de renda fixa, os títulos agora são ativos de despesa fixa, porque os investidores estão comprando pela valorização do capital, não pelos pagamentos de cupom.

Enquanto isso, o otimismo com o aumento dos lucros corporativos se estabilizou. As avaliações dos principais índices acionários rondam o mesmo patamar há um ano, mas os rendimentos dos dividendos vêm subindo.

Em outras palavras, as ações agora se resumem à renda, e os títulos, ao crescimento do capital. É exatamente o oposto da situação normal.

Há notícias boas nisso para o ouro, um ativo que Gadfly tende a evitar. Seja por mitologia ou por prudência, o ouro continua sendo atraente para os investidores como um refúgio quando surgem problemas -- e não há dúvida de que estamos atravessando tempos interessantes.

Historicamente, o problema com essa teoria era que os investidores que tentavam se proteger das tempestades financeiras também podiam optar pela dívida governamental sem risco, com a vantagem adicional dos pagamentos de juros. Mas, como todas essas notas estão sendo negociadas com rendimentos negativos, a escolha agora é muito mais inflexível e se resume ao desempenho de capital de dois ativos diferentes.

Não cometa o erro de achar que o ouro caminha para US$ 2.000 por onça em breve. Os fundos de investimento que passaram de uma posição vendida recorde nos futuros do ouro na Comex para uma posição comprada recorde em apenas sete meses poderiam mudar de ideia novamente e interferir nos preços como fizeram durante três anos até 2015.

Esse risco não existe com os títulos do Tesouro dos EUA. Se você estiver preparado para conservá-los até o vencimento, é difícil perder mais que cerca de um ponto percentual do valor nominal de uma dívida soberana de primeira linha. O ouro, mesmo após o melhor começo de ano desde 1979, está 29% abaixo do pico registrado em 2011.

No entanto, o rendimento da dívida soberana -- que durante muitos anos foi uma força contrária para quem investe em metais -- está passando a ser um fator positivo. O ouro pode ser o mais maleável dos metais, mas está parecendo um pouco mais robusto.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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