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Títulos especulativos avançam mesmo após queda do preço do petróleo

Emma Orr e Sridhar Natarajan

(Bloomberg) -- A máquina bem lubrificada que conectou os índices de títulos especulativos aos preços da energia pode estar travando.

Após mover-se em sintonia com os mercados de petróleo durante boa parte dos últimos dois anos, os títulos de rendimentos elevados registraram ganhos modestos nos últimos dois meses. Isto apesar do novo "bear market" nos preços do petróleo, que está lançando dúvidas sobre o destino das empresas de perfuração, produção e transporte de petróleo, responsáveis pela maior parcela de alguns índices de alto rendimento.

A dúvida é se a turbulência dos mercados de energia em algum momento começará a derrubar as avaliações dos títulos especulativos quando os calotes e as falências se acumularem entre os emissores do setor de petróleo.

Em meio a alertas de investidores como Bill Gross, da Janus Capital Management, mesmo em relação a dívidas de classificações elevadas, os investidores estão se tornando mais seletivos em relação ao alto rendimento e particularmente cuidadosos quanto às dívidas especulativas do setor de energia.

"Não estamos procurando oportunidades no setor de energia, mas se o petróleo continuar próximo de onde está, definitivamente buscaremos outros bolsões de alto rendimento", disse Zach Jonson, gerente de recursos da Icon Advisers, que administra cerca de US$ 2 bilhões em ativos. "Se cairmos para perto de US$ 30 ou menos, todas as apostas serão encerradas".

Tanto o Bloomberg USD High Yield Corporate Bond Index quanto o Bank of America Merrill Lynch U.S. High Yield Index deram retorno de mais de 2% entre 8 de junho e 3 de agosto -- incluindo uma contribuição das dívidas do setor de energia --, enquanto os preços do petróleo caíam cerca de 20%.

Mas os investidores sentiram o gosto da possível volatilidade do mercado em 1º de agosto, quando o barril de petróleo ficou em menos de US$ 40. Os emissores do setor de energia do índice BofA perderam 0,48% naquele dia, eliminando seu retorno total das quatro semanas anteriores.

Se o petróleo continuar caindo provavelmente pesará sobre as avaliações de todo o mercado de alto rendimento, disseram estrategistas do Barclays, liderados por Bradley Rogoff.

Os múltiplos já estão "um pouco altos", sendo que as empresas de exploração e produção estão particularmente vulneráveis, disse Rogoff em entrevista. "Com o barril a US$ 35, a maioria dessas empresas não trabalha de médio a longo prazo e não estamos tão distantes disso a esta altura", disse ele.

Alguns investidores em títulos tomaram a nova queda do petróleo como um sinal para abandonar o setor, entre eles Mike Collins, da Prudential Fixed Income, cujo fundo vendeu suas pequenas posições restantes em alto rendimento em energia nas últimas semanas.

Outros estão hesitando porque não têm lugares atraentes para reinvestir, segundo Martin Fridson, diretor de investimento da Lehmann Livian Fridson Advisors.

"Se você só falar com gerentes de carteira, eles dirão 'estamos com medo de vender qualquer coisa porque não há nada que possamos comprar, no lugar, que esteja oferecendo algum valor'", disse Fridson em entrevista.

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