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Argentina planeja nova taxa básica de juros, dizem fontes

Carolina Millan

(Bloomberg) -- O banco central da Argentina passará a tentar controlar a inflação por meio de uma nova taxa de juros de curtíssimo prazo que será introduzida nos próximos meses, de acordo com duas pessoas com conhecimento dos planos.

As autoridades, que atualmente usam leilões semanais de títulos para administrar a política monetária, pretendem definir a nova taxa de empréstimos interbancários mensalmente, segundo essas pessoas, que pediram anonimato porque não têm autorização para falar publicamente sobre o assunto.

A Argentina tenta normalizar o sistema financeiro sob o Presidente Mauricio Macri, que assumiu o cargo em dezembro após uma campanha que prometia trazer de volta o crescimento econômico por meio da atração de capital estrangeiro e da flexibilização de regras que prejudicam as empresas. Sob o governo anterior, o país tentava conter a inflação via controles cambiais. Desde dezembro, a referência tem sido a taxa das Letras do Banco Central (Lebac) com prazo de 35 dias.

As decisões sobre o juro básico serão estendidas a partir da atual frequência semanal e possivelmente serão tomadas todo mês ou a cada 15 dias, de acordo com uma das fontes. A venda de Lebac continuará sendo usada como ferramenta de gestão de passivos.

Padrão regional

No Brasil, a referência de juros é a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), atualmente em 14,25 por cento. Na região, as taxas de referência se encontram em 7,75 por cento na Colômbia, 4,25 por cento no México e no Peru e 3,5 por cento no Chile. Comparativamente, a Lebac da Argentina com prazo de 35 dias está em 30 por cento. A autoridade monetária chegou a elevar a taxa para 38 por cento no primeiro mês de mandato de Macri na tentativa de baixar a inflação.

Embora o índice de preços tenha atingido 47 por cento nos 12 meses até junho, o comandante do banco central, Federico Sturzenegger, afirmou que a inflação está se desacelerando e terminará o ano mais baixa. A instituição vai leiloar Lebac hoje após a redução do juro das mesmas para 30 por cento na semana passada.

A assessoria de imprensa do banco central se recusou a comentar a informação sobre a nova taxa e se referiu a um comunicado de Sturzenegger, que também afirmou durante uma entrevista coletiva em julho que a instituição estava avaliando o uso de uma taxa de referência.

O jornal Ambito publicou na semana passada que a autoridade monetária pode anunciar as mudanças em setembro.

Os preços ao consumidor registraram alta mensal de 3,1 por cento em junho, superando a previsão mediana dos analistas sondados pela Bloomberg, de 2,8 por cento. Esta foi apenas a segunda divulgação de um índice apresentado pelo governo Macri em abril como parte do esforço para restaurar a confiança nas estatísticas econômicas do país após anos de acusações de manipulação dos dados oficiais. A inflação mensal de julho provavelmente recuou para aproximadamente 2 por cento, afirmou o ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, na segunda-feira.

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