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Opep ainda enfrenta obstáculos para decidir limite à produção

Angelina Rascouet e Anthony DiPaola

(Bloomberg) -- É improvável que a reunião informal da Opep deste mês termine em algum acordo para limitar a produção porque diversos integrantes, incluindo o Irã, ainda estão bombeando abaixo de sua capacidade.

Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo planejam negociar na Argélia, no mês que vem, em uma reunião do Fórum Internacional de Energia, disse o presidente do grupo, Mohammed Al Sada, na segunda-feira. Mas os mesmos obstáculos que evitaram um acordo em relação às propostas para congelar a produção em abril ou para fixar uma nova meta de produção em junho ainda estão no caminho, segundo o UBS.

"Ainda não chegamos ao momento em que os membros da Opep entram em acordo quanto à produção, porque o Irã ainda não recuperou seus níveis de produção pré-sanções", disse Giovanni Staunovo, analista do UBS, por e-mail. "A produção de petróleo da Nigéria e da Síria também está, atualmente, abaixo de sua capacidade".

O petróleo entrou em bear market na semana passada, encerrando uma recuperação que viu os preços quase dobrarem em relação ao menor patamar em 12 anos, registrado em fevereiro. Isso aumentou a pressão sobre muitos países-membros da Opep que ainda são incapazes de equilibrar seus orçamentos. Os comentários de Al Sada indicam que o grupo está preocupado com a nova queda dos preços, segundo Robin Mills, CEO da consultoria Qamar Energy.

Oposição iraniana

O preço do barril de petróleo baixou em relação ao nível mais alto de fechamento em duas semanas. O declínio foi de US$ 0,52, ou 1,2 por cento, para US$ 42,50. A Opep decidiu mirar participação de mercado em vez de preço em 2014, adotando uma estratégia liderada pelos sauditas de continuar bombeando diante do excesso de oferta. Os esforços de alguns membros da Opep nos últimos dois anos para limitar a produção do grupo não deram resultado.

Em Doha, em abril, as negociações com outros produtores, incluindo a Rússia, para congelar a produção fracassaram depois que a Arábia Saudita decidiu que não apoiaria o acordo enquanto o Irã se recusasse a participar. Na reunião de junho do grupo, uma outra proposta de estabelecer metas de produção não chegou a lugar nenhum. Antes dessas duas reuniões, o Irã havia descartado qualquer limite e acelerou sua produção após a flexibilização das sanções internacionais, em janeiro.

Realizar uma reunião informal é uma estratégia oportuna e de baixo risco para a Opep lidar com o problema da queda dos preços, disse David Fyfe, chefe de pesquisa da trading de petróleo Gunvor Group, em Genebra.

"Eles estarão todos no mesmo lugar, de qualquer forma, no fim de setembro, então por que não revelar que conversarão sobre política de produção?", disse Fyfe por telefone. "Porque se não funcionar, há menos inconvenientes" do que em caso de uma reunião formal fracassada.

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