Neurociência pode ajudar a treinar seu cérebro para o negócio

Jon Asmundsson

(Bloomberg) -- O preço de uma ação está subindo e descendo na sua tela. Você avalia racionalmente as probabilidades de o preço subir antes de fechar o negócio? Ou obedece aos seus instintos?

Você pode preferir achar que a capacidade superior -- aquele misterioso fator X que alguns traders parecem ter -- está baseada no primeiro cenário. Mas há alguns anos, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia, ou Caltech, se deram ao trabalho de tirar fotos dos cérebros das pessoas enquanto estas avaliavam negócios. Surpresa: por mais racional que você seja, você provavelmente obedece bastante aos seus instintos.

Usando escâneres de fMRI (sigla em inglês para Imagem por Ressonância Magnética Funcional), os neurocientistas conseguem identificar quais estruturas do cérebro estão associadas a uma atividade em particular. Para isso, precisam colocar um indivíduo em uma máquina e pedir que ele resolva um problema de matemática para eles poderem ver as informações na tela. Mas as estruturas relacionadas à matemática não se iluminaram no experimento do Caltech. Em vez disso, foram ativadas partes do cérebro associadas a algo que os psicólogos chamam de "teoria da mente".

Isto significa, em essência, a capacidade de ler outras pessoas. "Trata-se de um panorama sobre o que a outra pessoa está pensando e sentindo e o que provavelmente fará", diz Denise Shull, fundadora da ReThink Group, empresa de pesquisa e consultoria de Nova York que treina profissionais do setor financeiro e atletas. As pessoas usam a teoria da mente inconscientemente o tempo todo para processar as experiências no mundo, diz Shull. É isto que te ajuda a caminhar por uma calçada movimentada de Manhattan: você consegue prever que o sujeito da frente está prestes a virar para a direita, por isso você vai para a esquerda. É isto, também, que permite que alguns traders leiam o fluxo de informações, diz ela, e vejam que "alguém vai fechar uma compra".

No experimento do Caltech, detalhado no estudo "Exploring the Nature of 'Trader Intuition'", publicado no Journal of Finance em 2010, os pesquisadores criaram um mercado estilizado. Eles faziam os participantes negociarem duas "ações" em uma série de sessões. O pagamento das duas ações combinadas foi fixado em 50 centavos, mas a porção do pagamento que vinha de cada ação era revelada apenas após o término da sessão. Uma poderia pagar 49 centavos e a outra, 1 centavo, por exemplo.

Em algumas das sessões, nenhum dos participantes obteve informações adicionais sobre os pagamentos. Em outras, alguns participantes recebiam uma dica sobre quais seriam os pagamentos. Com base nessa dica, os participantes podiam fazer ofertas pelas ações.

O estudo do Caltech tem algumas implicações interessantes. Entre elas: a teoria da mente pode explicar como traders que não possuem informações fazem deduções e agem com base nelas de forma que os preços rapidamente passam a refleti-las por completo -- conforme postulado pela hipótese do mercado eficiente, pilar da teoria financeira.

O misterioso fator X afinal não é tão misterioso assim, segundo Shull, da ReThink. "Eu descreveria o fator X de julgamento de risco como parte de um conjunto de competências emocionais que se estende do conhecimento ao reconhecimento e à compreensão", diz ela. Uma parte é a autoconsciência emocional -- saber não tomar uma decisão quando se está agitado, por exemplo. Outra é a capacidade de prever preços e ler pessoas.

Mas, afinal, é possível treinar suas habilidades para isso? Sim, diz Shull. "Isto pode ser treinado". Embora a teoria da mente seja inconsciente, segundo Shull há uma versão consciente do mesmo tipo de processamento, que ela chama de empatia cognitiva. "A empatia cognitiva se resume a pensar em algo e tentar fazê-lo de forma intencional e é nesse ponto que é possível treinar", diz ela. O novo Bloomberg Tradebook Trader Exercise permite que você teste suas capacidades e pratique para melhorá-las. Desenvolvida pela ReThink Group de Shull em conjunto com a Tradebook, a corretora da Bloomberg, a atividade utiliza várias formas animadas para desafiar a sua massa cinzenta. Mantenha os olhos no pentágono!

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