África fica fora de onda histórica de emissões de títulos

Paul Wallace

(Bloomberg) -- A África está perdendo a maior festa da história dos títulos de mercados emergentes.

Enquanto países como Arábia Saudita e Papua-Nova Guiné se preparam para chegar ao mercado com dezenas de bilhões de dólares em vendas de eurobonds antes que o Federal Reserve eleve as taxas de juros nos EUA, a emissão está praticamente paralisada na África subsaariana, já que Gana cancelou sua venda, Quênia, Nigéria e Costa do Marfim adiaram as suas e há poucos negócios em preparação. Apenas dois países -- África do Sul e Moçambique -- venderam títulos em dólares neste ano, e no caso do segundo foi uma reestruturação da dívida existente. As vendas africanas, que somam US$ 2 bilhões em 2016, são as menores desde 2008, quando a crise financeira congelou o mercado.

Estimulados pela expansão de suas economias, os emissores africanos correram para os mercados internacionais de títulos na última década, a maioria pela primeira vez. Desde então, suas economias sofreram o impacto da queda dos preços de commodities como o petróleo, o cobre e o minério de ferro, que forçou algumas delas a recorrerem a resgates do Fundo Monetário Internacional. Embora os juros venham caindo desde fevereiro na África em meio à busca dos investidores por ativos de alto rendimento, eles continuam mais de 200 pontos-base acima da média dos mercados emergentes. Isso deixou os governos temerosos em relação a contrair dívidas em moedas estrangeiras, segundo o Rand Merchant Bank, uma unidade do FirstRand.

"Nós argumentávamos há tempos que o mercado de eurobonds estava atribuindo um preço equivocado aos riscos de crédito inerentes a cada país", disse Nema Ramkhelawan-Bhana, analista do RMB em Johannesburgo, que duvida da realização de muitos novos negócios neste ano, em entrevista por telefone, em 29 de agosto. "Tivemos um ajuste agora. Vemos os países usarem roadshows para medir o sentimento do investidor, mas não os temos visto necessariamente levando a venda adiante porque está saindo um pouco caro para eles".

Venda recorde

A falta de atividade contrasta com o frenesi observado em outros lugares. As vendas de US$ 9 bilhões do Catar e de US$ 16,5 bilhões da Argentina ajudaram a impulsionar a emissão de eurobonds entre os mercados emergentes para um recorde de US$ 90 bilhões no primeiro semestre do ano. O JPMorgan projeta uma alta histórica de US$ 125,5 bilhões em transações em 2016.

Os governos africanos venderam US$ 8 bilhões em títulos internacionais em 2014, um recorde. No ano passado, emissores de Angola à Zâmbia recorreram ao mercado e totalizaram US$ 6,75 bilhões em vendas.

A queda dos preços das matérias-primas provocou um "estresse significativo" em várias economias africanas, disse Marco Santamaria, gestor de recursos em Nova York da AllianceBernstein, que administra quase US$ 500 bilhões em ativos. "Claramente isso deixou os investidores mais cautelosos, o que se reflete nos altos rendimentos para alguns dos países. Para os governos que estão pensando em captar recursos, o mercado de eurobonds provavelmente não é o lugar mais óbvio".

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