Samarco considera não pagar juros de eurobônus neste mês, dizem fontes

Cristiane Lucchesi e R.T. Watson

(Bloomberg) -- A Samarco está considerando não pagar juros de eurobônus que vencem neste mês em meio a um aperto no caixa, segundo pessoas com conhecimento do assunto.

Sem clareza sobre quando será capaz de retomar a atividade de mineração, a joint venture da Vale e BHP ainda não iniciou as discussões sobre a reestruturação da dívida com os detentores de títulos de dívida externa, disseram duas das pessoas, que pediram para não ser identificadas porque o assunto é privado.

Como resultado, não há tempo suficiente para chegar a um acordo de reestruturação antes que os cupons vençam, segundo as pessoas.

A Samarco que já foi a segunda maior produtora mundial de pelotas de minério de ferro, está buscando um acordo sobre cerca de US$ 1,6 bilhão em empréstimos bancários para adiar os pagamentos até que retome a atividade de mineração, disseram pessoas com conhecimento do assunto no mês passado. Um pedido de recuperação judicial está sendo avaliado, segundo uma pessoa.

As operações de mineração da Samarco permanecem paradas 10 meses após o rompimento de uma barragem que provocou mortes e contaminou rios --em dois estados.

Embora BHP e Vale estejam colocando recursos na Samarco para trabalhos de reparação e ajuda, as empresas não estão cobrindo os pagamentos da dívida. A BHP, Vale e Samarco não quiseram comentar.

O pagamento de juros de eurobônus com vencimento em 2022 estão programados para o início de setembro. As notas estão sendo negociadas a cerca de US$ 0,37 centavos, menos de cerca de US$ 0,60 no início de maio, depois que esperanças de uma rápida retomada das operações desapareceram.

Depois da sinalização anterior de uma retomada em 2016, a mina pode não conseguir permissão até o próximo ano ou 2018 em meio a investigações do acidente que matou mais de 19 pessoas e foi descrito por autoridades como o pior desastre ambiental do Brasil.

Uma data mais provável de retomada das operações seria até o final do próximo ano, com uma previsão para meados de 2017 em um cenário otimista, disse Peter Poppinga, diretor de minerais ferrosos da Vale, em uma entrevista em Londres na terça-feira.

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