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Excesso de petróleo oculta capacidade excedente menor da Opep

Sharon Cho, Serene Cheong e Dan Murtaugh

(Bloomberg) -- Enquanto a maior parte do mundo se concentra em entender como a produção irrestrita de petróleo pesará sobre os preços, alguns dizem que há uma recuperação pela frente porque o mercado está começando a refletir um risco crescente de escassez.

A estratégia da Opep de manter suas torneiras abertas está deixando uma gordura menor caso surja uma necessidade inesperada por mais petróleo. A capacidade excedente do grupo atingiu o menor patamar desde 2008, segundo dados do governo dos EUA, e os cortes de investimento globais diminuíram as perspectivas para a nova produção.

Os preços poderão subir mais de 35 por cento em relação aos níveis atuais quando começarem a refletir o risco de restrição de oferta, segundo o Citigroup e a trader Gunvor Group.

A maior queda do valor da energia em uma geração levou o setor a reduzir os investimentos em US$ 1 trilhão. O fenômeno levou a uma produção nova menor e à desaceleração da produção atual, enquanto as empresas economizam em tecnologias que ampliam a vida dos campos.

O Citigroup prevê que os preços subirão para US$ 65 no ano que vem, enquanto a Gunvor vislumbra um avanço para até US$ 70, níveis vistos pela última vez em 2014.

"A mudança de US$ 50 para US$ 60 ou US$ 70 por barril pode ser muito mais rápida do que as pessoas pensam", disse David Fyfe, chefe de pesquisa e análise de mercado da Gunvor, em entrevista em Cingapura.

"A curto prazo todos do universo da oferta, com exceção da Arábia Saudita, estarão produzindo o máximo possível. Não há ninguém, além da Arábia Saudita, que tenha 1 milhão a 2 milhões de barris por dia de capacidade excedente".

Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo contavam com cerca de 1,1 milhão de barris por dia de capacidade produtiva excedente no mês passado, estima o Departamento de Energia dos EUA, contra mais de 4 milhões no fim de 2010.

Em 2011, depois que os distúrbios na Líbia reduziram a produção do país em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, os membros da Opep recorreram à sua capacidade excedente quando os preços do petróleo dispararam para mais de US$ 120 por barril. Angola bombeou mais naquele verão e a Arábia Saudita ampliou sua produção em 1,35 milhão de barris por dia.

Enquanto os produtores tentam extrair o que podem, a oferta armazenada em terra é ampla. Os estoques globais de petróleo subiram para 3,1 bilhões de barris em junho, cerca de 360 milhões acima da média dos cinco anos anteriores, segundo a Agência Internacional de Energia.

Para os preços subirem seria necessário que o crescimento da demanda fosse forte o suficiente para superar a oferta diária e consumir esses estoques. Na terça-feira, a AIE informou que não prevê que isso aconteça até 2018, pelo menos, porque o crescimento do consumo está tropeçando e a produção mostra resiliência.

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