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Bancos se preparam para nova liquidação de contratos em euros

Gavin Finch e John Detrixhe

(Bloomberg) -- Executivos dos bancos de investimento globais em Londres acreditam que França e Alemanha sairão vitoriosas na disputa em torno da liquidação de U$ 570 bilhões de derivativos em euros e fazem planos para lidar com as consequências disso, de acordo com pessoas que trabalham em quatro das maiores instituições do ramo.

A hipótese de trabalho é que o distrito financeiro de Londres, conhecido como City, eventualmente perderá a capacidade de liquidar contratos de swap denominados em euros após o Reino Unido sair formalmente da União Europeia, disseram as pessoas envolvidas nos planos de contingência dos bancos, que pediram anonimato porque os detalhes têm caráter privado. Isso pode demorar anos, mas os funcionários e as operações fundamentais para a função de liquidação serão os primeiros a mudar para o continente assim que o processo do Brexit for deflagrado, segundo uma dessas fontes.

A disputa vem se delineando desde antes do referendo. O ministro britânico das Finanças, Philip Hammond, neste mês prometeu proteger o status de Londres como epicentro da negociação de swaps de juros na Europa, responsável por aproximadamente 39 por cento do mercado global. Os bancos duvidam que ele consiga, dado que o presidente francês, François Hollande, e parlamentares alemães já declararam que a liquidação de contratos denominados na moeda comum deve ser realizada em seus países.

Embora o negócio seja citado como importante vantagem para barganha nas tratativas comerciais que serão realizadas entre o Reino Unido e a UE para acesso ao mercado comum, duas das pessoas disseram que talvez esta questão sequer seja discutida. Segundo elas, as autoridades europeias podem simplesmente alterar as regras após o Brexit, quando a opinião do Reino Unido deixará de ser considerada.

Sem escolha

O Banco Central Europeu "não tem escolha a não ser retirar a liquidação", disse Graham Bishop, consultor sobre integração na UE, que iniciou sua carreira no setor financeiro em 1971. "Eles seriam loucos de permitir que esses enormes volumes de atividade com potencial para criar um problema de instabilidade financeira dentro da zona do euro continuassem fora de seu controle. Dá para imaginar o Banco da Inglaterra permitindo quantias gigantescas de libras esterlinas liquidadas dentro da zona do euro? Não."

O Reino Unido realiza 75 por cento das transações com derivativos denominados em euros, de acordo com dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS) sobre operações de balcão. A LCH, maior câmara de liquidação de swaps de juros do mundo, tem sede em Londres e sua maior acionista é a bolsa local, a London Stock Exchange.

A implementação de qualquer tentativa de transferir a liquidação de contratos em euros de Londres para o continente pode levar anos, causar distúrbios enormes e aumentar custos em toda a região, disseram essas pessoas. Outros negócios de negociação e liquidação podem seguir o mesmo caminho.

Não está claro como o BCE poderia impor restrições à liquidação de operações em euros sem tornar a moeda menos transferível, prejudicando seu papel como reserva de valor e contrapeso à dominância do dólar, segundo uma das fontes. Essa pessoa questionou se o BCE também retiraria os direitos de liquidação dos EUA e da Ásia para não parecer vingativo.

"Diante do status do euro como moeda de reserva global, derivativos denominados em euros devem ser trocados livremente e liquidados em qualquer lugar do mundo", disse Simon Puleston Jones, responsável pela Associação da Indústria de Futuros (FIA) na Europa. "A transferência à força da negociação e liquidação de derivativos denominados em euros para a zona do euro provavelmente fragmentaria a liquidez por moeda, com efeitos nocivos para os usuários finais da UE e contrapartes no mercado de atacado."

Entre os bancos representados pela FIA estão Goldman Sachs, Barclays e Credit Suisse.

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