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Torpor no mercado de câmbio global leva a perdas prolongadas

Marianna Aragao e Anchalee Worrachate

(Bloomberg) -- Quem negocia câmbio vem amargando a pior fase de perdas já vista. O par de moedas mais popular do mundo não tem ajudado.

No terceiro trimestre, o intervalo de negociação entre euro e dólar foi o mais estreito em registro. É um bom exemplo do desafio enfrentado por quem negocia moedas: a volatilidade explorada para gerar lucro está diminuindo em todo esse mercado, que movimenta US$ 5,1 trilhões por dia. Assim, um índice que reúne as taxas de retorno dos principais fundos desabou pelo sétimo mês seguido em setembro.

O torpor é causado principalmente pelos bancos centrais. A operação de divergência — que aproveitaria a decisão do Federal Reserve de subir a taxa básica de juros nos EUA e se distanciar da política de seus pares, o que impulsionaria o dólar — não vem dando certo. A lentidão da economia americana forçou as autoridades a adiar o aperto monetário. O euro estagnou enquanto os investidores julgam se o Banco Central Europeu está ficando sem munição para expandir a oferta monetária. O mal está contagiando até o iene, a moeda de mercado desenvolvido de melhor desempenho neste ano, enquanto os investidores ponderam a mais recente mudança de conduta do Banco do Japão.

"A maioria desses gestores se deu muito bem fazendo apostas compradas em dólar em 2014 e 2015, mas agora que não há uma tendência, eles estão penando", disse Ugo Lancioni, gestor de recursos em Londres da Neuberger Berman Group LLC, que supervisiona aproximadamente US$ 246 bilhões. "Não há motivo para implementar estratégias de impulso se os fundamentos não sustentam o raciocínio." Uma aposta comprada indica expectativa de valorização da moeda.

Posição neutra

Para um número crescente de investidores, a taxa de troca entre euro e dólar anda variando tão pouco que não vale a pena. Projeções de uma pesquisa da Bloomberg sugerem que o euro se manterá a um centavo do intervalo observado no terceiro trimestre, de US$ 1,0952-US$1,1366, até 2018. Foi o intervalo trimestral mais estreito desde a introdução da moeda única, em 1999.

"Não estamos ativos de forma alguma em euro-dólar", revelou Roger Hallam, diretor de investimentos cambiais em Londres do JPMorgan Asset Management, que supervisiona US$ 1,7 trilhão. "O mercado está começando a considerar os limites da política monetária. Não há impulso real para o euro ser negociado em nível significativamente mais fraco do que o atual."

Uma métrica de volatilidade do JPMorgan Chase acaba de registrar a maior perda do começo ao fim de um trimestre em mais de dois anos com o esvaziamento do impacto da saída do Reino Unido da União Europeia. O indicador recuou de mais de 12 por cento em junho para 9,9 por cento.

O Parker Global Index de taxas de retorno também está em queda e ampliou o recuo deste ano para 3,5 por cento, o maior desde 2011. O período de sete meses de perdas é o mais longo da série que começa em 2003.

A negociação baseada em impulso, que acompanha tendências como a expectativa de valorização do dólar, vem diminuindo desde o começo de julho, de acordo com um índice do Deutsche Bank. O índice subiu 2,4 neste ano e caminha para o pior desempenho desde 2012. O Bloomberg Dollar Spot Index recuou 3,4 por cento e caminha para a primeira queda anual em quatro anos.

No primeiro semestre, o iene surpreendeu com uma valorização e causou prejuízos para os investidores. Mas houve pausa na trajetória de alta em meio a especulações de que tenha avançado rápido demais e depois de o presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, anunciar, em 21 de setembro, que a autoridade monetária focará as compras de títulos para estimular a inflação de modo mais eficaz.

No mesmo dia, o Fed manteve a taxa básica de juros inalterada e enfatizou uma trajetória gradual de aperto. Já o Banco Central Europeu decidiu não ampliar o plano de compra de títulos na reunião mais recente, há quase um mês, embora tenha diminuído as projeções de crescimento econômico para 2018.

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