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Rússia se torna superpotência em grãos com exportação de trigo

Anatoly Medetsky

(Bloomberg) -- Quase 25 anos após ver a fazenda coletiva Aurora do Comunismo, onde cresceu, ir parar na lata de lixo da história, Andrey Burdin está ajudando a transformar a Rússia em algo que os comunistas nunca conseguiram: uma potência na exportação de grãos.

Durante os últimos anos, Burdin triplicou o tamanho de sua fazenda na estepe próxima ao Mar Negro, ganhou prêmios do governo local pela quantidade de trigo que produziu no rico solo da região e reinvestiu os lucros na compra de novos tratores e pulverizadores.

Nesta temporada, sua safra será um terço maior do que era há apenas cinco anos, ajudando a estimular uma explosão das exportações de grãos que possibilitou que a Rússia desbancasse antigos líderes mundiais, como os EUA e a União Europeia.

A Rússia, famosa pela produção de petróleo e gás, agora está se posicionando para reconquistar a liderança no comércio mundial de trigo, que ostentava durante a época czarista. No processo, o país está dando nova forma ao mercado de um dos produtos alimentícios comercializados mais importantes do mundo.

"As pessoas começaram a pensar no futuro", disse Burdin, 42, com novos tratores estacionados em frente à janela de seu escritório. "Antigamente, todo mundo vivia o dia a dia."

Ressurgimento agrícola

Do litoral do Mar Vermelho à área central do rio Volga e às estepes da Sibéria, as principais regiões de produção agrícola da Rússia estão ressurgindo e os grãos estão na vanguarda. Turbinados pela queda de 45 por cento do rublo frente ao dólar nos últimos anos e por safras excepcionais, os produtores locais estão lotando os mercados de exportação tradicionalmente dominados por importantes agentes ocidentais.

Na temporada passada, a Rússia superou os EUA em exportações de trigo pela primeira vez em décadas e esses ganhos devem aumentar e desbancar a UE da liderança neste ano, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA. Os investidores, tanto agricultores locais quanto magnatas bilionários, estão injetando dinheiro no setor.

"A Rússia estará entre os principais exportadores durante um longo tempo, especialmente devido ao potencial aumento da produtividade no país", disse Tom Basnett, gerente-geral da consultoria de commodity Market Check, com sede em Sidney. "Outros produtores precisam lutar mais arduamente para conservar seus mercados tradicionais."

O boom na Rússia está atraindo algumas das maiores tradings do mundo e a Olam International, Cargill e Glencore estão investindo em tudo, de silos a terminais de exportação.

O solo rico, o apoio do governo e a proximidade dos portos do Mar Vermelho para despachar a produção fazem com que os custos na Rússia possam chegar a ser apenas a metade dos das grandes concorrentes que abastecem mercados importadores fundamentais no Oriente Médio, de acordo com pesquisadores da Universidade Estadual do Kansas, nos EUA.

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