Euforia da Bayer com remédio contra câncer esbarra em ceticismo

Johannes Koch e Naomi Kresge

(Bloomberg) -- As promessas da Bayer de que ampliará as vendas de sua linha experimental de medicamentos -- dependente em grande parte de um tratamento não comprovado para um tipo incomum de câncer -- estão sendo recebidas com ceticismo.

O conglomerado alemão está confiando nos sinais positivos dos primeiros testes em seres humanos para projetar mais de 2 bilhões de euros (US$ 2,2 bilhões) em vendas anuais do anetumab ravtansine caso consiga aprovação regulatória para usar esse medicamento no tratamento de diversos tipos de câncer, disse o diretor de oncologia da Bayer, Robert LaCaze, em entrevista, neste mês.

O primeiro obstáculo, que é crucial, será o sucesso entre os pacientes com mesotelioma, tumor causado por exposição ao amianto que afeta a fina camada de tecido que reveste órgãos vitais.

"A Bayer está sentindo certa euforia em relação ao produto experimental anetumab, algo que não consigo entender nesse momento", disse Markus Manns, que ajuda a gerenciar cerca de 275 bilhões de euros em ativos na Union Investment, uma das 20 maiores acionistas da companhia. "Ainda não foram publicados muitos dados a respeito."

Pressionada a mostrar que sua unidade farmacêutica não será afetada pelo plano de adquirir a gigante de produtos químicos agrícolas Monsanto por US$ 66 bilhões, a Bayer vendeu o tratamento em uma reunião com investidores no mês passado.

A companhia prevê 6 bilhões de euros de pico de receita anual com os medicamentos experimentais que espera lançar dentro de cinco anos, sendo que a maior fatia virá do anetumab. Os números não impressionaram os investidores e as ações da empresa se mantiveram praticamente inalteradas.

"Assim como acontece com qualquer fármaco, é preciso ser cauteloso e otimista ao mesmo tempo", disse LaCaze. "Vimos alguns dados preliminares bastante intrigantes que nos deixaram otimistas."

Alguns dos 16 pacientes com mesotelioma que tomaram a dose mais elevada de anetumab ravtansine na primeira fase dos testes clínicos permaneceram em tratamento por mais de dois anos e meio, afirmou a Bayer nesta semana.

Esses estudos preliminares são desenvolvidos para testar se um remédio é perigoso e qual dose os pacientes devem tomar, não para determinar com certeza se ele funciona. No entanto, os pacientes que participaram do teste normalmente teriam uma expectativa de vida de cerca de quatro meses com os tratamentos padrão com quimioterapia, segundo a companhia.

Desenvolvido com tecnologia da ImmunoGen e da MorphoSys, o tratamento experimental ataca a mesotelioma, uma proteína presente na superfície de muitas células tumorais, para evitar que cresçam e se dividam.

"Para nós, 6 bilhões de dólares em receita em 2021 é bom demais para ser uma projeção realista", disse David Moss, que ajuda a administrar mais de US$ 238 bilhões em ativos, incluindo ações da Bayer, na BMO Global Asset Management em Londres. "É a cereja do bolo, se conseguirem."

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