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Wells Fargo é alvo de contestação por contas falsas de latinos

Jeff Green, Laura J. Keller e Kartikay Mehrotra

(Bloomberg) -- Matthew Castro diz que sente muito pelo que fez no Wells Fargo, e mais ainda pelas pessoas que foram suas vítimas: latinos, não muito diferentes dele.

Castro, 41, diz ser uma das milhares de pessoas demitidas pelo Wells Fargo por abrirem contas secretamente, sem o consentimento dos clientes.

Mas para Castro o escândalo que derrubou o diretor do banco, John Stumpf, após longo período no cargo, chega ainda mais fundo. Ele e seus colegas, explica, aproveitaram cada oportunidade de abrir contas fictícias para latinos, muitos deles imigrantes recém-chegados aos EUA.

"Tinha vezes que o cliente se sentava e depois ia embora sem nunca saber que tinha essas novas contas", diz Castro, cujo pai migrou da Colômbia para os EUA. Ele afirma que tentou atenuar sua culpa realizando trabalho voluntário.

Enquanto o novo CEO do Wells Fargo, Tim Sloan, tenta conter o escândalo, autoridades de Los Angeles, nos EUA, ex-funcionários e ativistas comunitários levantam uma pergunta incômoda: os empregados do banco miraram os latinos, em particular aqueles que não possuem números de Seguro Social nos EUA ou domínio profundo do inglês, ao abrirem uma enxurrada de contas não autorizadas?

A porta-voz do Wells Fargo, Richele Messick, negou que o banco tenha mirado alguém. E como a instituição tem presença importante nas regiões oeste e sudoeste dos EUA, onde vivem muitos latinos, o assunto, segundo ela, pode se resumir à geografia.

Comunidade sem conta

Mas a própria acusação contra o Wells Fargo gera reflexos. O Wells tem raízes mais profundas nas comunidades hispânicas do que qualquer outro banco importante e cortejou latinos ativamente nos últimos anos.

A Federal Deposit Insurance Corporation e outros órgãos há tempos pedem que os imigrantes em geral, e os mexicanos em particular, se distanciem de atores financeiros predatórios e adotem os bancos tradicionais. Mas mesmo com esses esforços, quase uma em cada cinco famílias de origem hispânica não possuía conta em banco em 2013, ano mais recente com estatísticas disponíveis da FDIC.

A possibilidade de que o Wells Fargo tenha, em essência, se concentrado em pessoas hispânicas espantou as comunidades latinas, particularmente em um momento em que a imigração é um assunto polêmico na campanha presidencial americana.

"Isso é simplesmente inacreditável", disse Brent Wilkes, diretor-executivo nacional da Liga dos Cidadãos Latino-americanos. "É realmente perturbador descobrir que isso está acontecendo especificamente com a população latina porque a impressão é que as pessoas se esforçam para tornar a vida mais difícil para os latinos."

Para Aracely Panameño, diretora de assuntos latinos do Center for Responsible Lending, a questão do Wells Fargo prejudicará esforços mais amplos para levar os imigrantes a instituições financeiras tradicionais.

"Investimos uma enorme quantidade de tempo tentando convencer as pessoas de que é melhor ter conta em banco do que não ter", disse ela. "Isso afeta e muito todo esse esforço e reforça a ideia de que as pessoas do setor bancário só pensam nelas mesmas."

Título em inglês: For Wells Fargo, Angry Questions About Profiling Latinos

Para entrar em contato com os repórteres: Jeff Green Southfield, Michigan, jgreen16@bloomberg.net, Laura J. Keller em N York, lkeller22@bloomberg.net, Kartikay Mehrotra em São Francisco, kmehrotra2@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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