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Empresa canadense ensina robô a agir como humano

Gerrit De Vynck

(Bloomberg) -- Você encomendou um robô pela internet e ligou a máquina em casa. No começo ele não faz muita coisa, limita-se a te seguir e a observar a sua rotina diária: levar o cachorro para passear, preparar lasanha, lavar a louça. Mas em pouco tempo o robô aprende a ser seu substituto, assumindo as tarefas do dia a dia e deixando você se concentrar em outras mais interessantes.

Esse é o mundo que Suzanne Gildert e Geordie Rose vislumbram. Eles administram a Kindred, uma companhia de inteligência artificial ultrassecreta com sede em Vancouver, no Canadá, parcialmente financiada pelo braço de venture capital do Google.

Gildert e Rose criaram a Kindred com o princípio de que a melhor forma de tornar os robôs tão inteligentes quanto os humanos é colocá-los no nosso lugar e fazer com que aprendam como nós aprendemos. Com a ajuda de um conselho de especialistas em inteligência artificial, ou IA, a Kindred já está progredindo rumo a esse objetivo audacioso.

"É sempre melhor ter humanos e inteligência artificial trabalhando juntos para controlar os robôs do que deixar cada um por si", disse Rose, no escritório da Kindred, localizado em um histórico edifício de tijolos em frente à vila olímpica construída para os Jogos de Inverno de 2010.

Ensinar os computadores a aprenderem por conta própria é o objetivo principal das pesquisas em inteligência artificial. As maiores empresas de tecnologia do mundo, como o Facebook, o Google e a chinesa Baidu, estão correndo para desenvolver as melhores técnicas. Ocorreram inovações no campo de reconhecimento de fala e de imagens, mas as máquinas ainda têm dificuldades para realizar tarefas físicas básicas, como apanhar objetos. A melhora da destreza física dos robôs é o primeiro problema que a Kindred está tentando solucionar.

Gildert, física por formação, teve a ideia de usar o controle humano para treinar algoritmos robóticos quando trabalhava na D-Wave, companhia fundada por Rose que se transformou em potência da computação quântica, uma tecnologia esotérica que dribla as leis da física para analisar dados mais rapidamente do que as máquinas tradicionais.

Gildert estava tentando descobrir a melhor maneira de treinar as máquinas a se moverem como os humanos, mas, diferentemente dos algoritmos de reconhecimento de imagens, capazes de avaliar grandes quantidades de fotos na web, não havia um conjunto óbvio de dados para treinamento.

"Isso não existe", disse Gildert. "Em um momento de inspiração dissemos 'um humano poderia oferecer esses dados de treinamento movimentando o robô e se queremos bons dados de treinamento, precisamos de uma situação de imersão."

Gildert e Rose deixaram a D-Wave em 2014 para fundar a Kindred. Desde então, montaram cerca de 50 robôs para teste. Em um experimento típico, um operador humano veste um headset de realidade virtual para "ver" o que o robô está vendo e utiliza controladores de mão para ajudar a máquina a apanhar um objeto.

Todas as vezes que o humano ajuda o robô o algoritmo utiliza a informação para aprender e para tornar a máquina mais inteligente ao longo do tempo.

"A oportunidade aqui de construir máquinas de uso geral que possuem a infinidade de recursos que os humanos têm é sem precedente", disse Rose.

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