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Farmacêutica australiana quer genéricos mais poderosos

Natasha Khan

(Bloomberg) -- Jackie Fairley acredita que a melhor maneira de tornar medicamentos antigos mais potentes é redistribuindo seus compostos químicos.

A empresa de biotecnologia de Fairley, a Starpharma Holdings, possui dezenas de patentes sobre maneiras de fazer os medicamentos funcionarem melhor. A empresa australiana aproveitou uma aplicação dessa tecnologia para criar um gel para revestir preservativos com o objetivo de melhorar a proteção contra doenças sexualmente transmissíveis e a propagação de vírus como o zika por meio das relações sexuais.

Os órgãos reguladores do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia aprovaram o uso do gel e a companhia está buscando autorizações em outros países. Mas agora, Fairley, executiva que trabalha na indústria farmacêutica há mais de duas décadas, mira um prêmio muito maior: tornar os medicamentos genéricos mais efetivos.

A partir de uma tecnologia desenvolvida por uma agência científica financiada pelo governo australiano, a Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial, a companhia está trabalhando para mudar a composição molecular de alguns medicamentos genéricos para transformá-los em combatentes mais poderosos contra certas doenças.

A Starpharma, por exemplo, está utilizando sua tecnologia no medicamento quimioterápico docetaxel para possibilitar a entrega de mais moléculas do medicamento às células cancerígenas e assim atacar melhor o tecido doente.

Essa estratégia está atraindo a atenção de empresas farmacêuticas internacionais, muitas das quais irão enfrentar o vencimento de patentes de medicamentos bastante vendidos nos próximos anos e estão buscando maneiras de reativar alguns desses tratamentos, ou de encontrar novas terapias, para compensar a perda de receita.

A AstraZeneca, que tem sede no Reino Unido, assinou acordo em setembro com a Starpharma com pagamento de US$ 2 milhões adiantados.

A Starpharma estima que o pacto poderá render até US$ 450 milhões em descobrimentos e royalties combinados se a tecnologia funcionar com algum dos compostos da companhia britânica ou com medicamentos inovadores.

Em entrevista, Fairley disse que sua companhia planeja anunciar mais acordos de licenciamento nos próximos meses. "Nossa tecnologia pode reiniciar o relógio das patentes para os medicamentos genéricos", disse Fairley.

No momento em que as grandes empresas farmacêuticas lidam com o vencimento de suas patentes, muitas multinacionais estão dispostas a investir em métodos que permitiriam ampliar o ciclo de vida dos medicamentos e a tecnologia da Starpharma se encaixa nessa tendência, disse Tanushree Jain, analista de biotecnologia da Bell Potter Securities em Sydney.

Além disso, "o forte efeito da segurança que estamos vendo na tecnologia da Starpharma a coloca em posição bastante firme entre as potenciais terapias combinadas contra o câncer", disse ela.

No entanto, o uso da tecnologia por Fairley para recuperar medicamentos ainda está em fase inicial de testes em humanos e a executiva tem trabalho pela frente para tornar a empresa de biotecnologia rentável.

Fundada em 1996, a Starpharma ainda não gerou lucros e o preço de suas ações é de menos da metade do registrado em 2012, segundo dados compilados pela Bloomberg. Atualmente, a companhia tem um valor de mercado de cerca de 254 milhões de dólares australianos (US$ 190 milhões).

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