Nem Trump pode aplacar crise dos hedge funds

Katherine Burton

(Bloomberg) -- A bebida corria solta enquanto o titã dos hedge funds Robert Mercer, vestido como o mágico Mandrake, festejava com Donald Trump, vestido, bom, como Donald Trump.

Era a festa à fantasia de fim de ano de Mercer, uma reunião íntima com 250 pessoas em sua propriedade em Long Island, no estado de Nova York. O tema de 2016: "Vilões e Heróis".

Mercer e seus colegas, também gestores de hedge funds, tinham muito o que enaltecer em Trump. Aproveitando a fortuna que acumulou em sua extremamente rentável empresa, a Renaissance Technologies, Mercer e a filha Rebekah (vestida naquela noite como Viúva Negra em uma roupa de couro) haviam ajudado a alçar Trump à presidência dos Estados Unidos. Trump, mais do que qualquer outro presidente eleito, tem se acercado de figuras do setor, desde Steven Mnuchin, sua escolha para o Tesouro, a David McCormick, um candidato potencial para a pasta da Defesa, anunciando uma nova era de lucros para o mercado financeiro americano.

Mas, com Trump ou sem Trump, este ano marcou o início do fim dos hedge funds como os conhecemos. Seus investidores se mostram cada vez mais revoltados, depois de anos nos quais os gestores de fundos ficaram ricos, mas devolvendo muito pouco em termos de retorno.

Em 2016, clientes com altos valores investidos decidiram bater em retirada. "Que vendam suas casas de verão e jatos e retornem as comissões para os investidores", disse uma autoridade de Nova York, em um aceno à onda populista que levou Trump à presidência.

Firmas que perderam dinheiro foram forçadas a reduzir as comissões. Os saques de clientes (US$ 53 bilhões nos últimos quatro trimestres) fizeram com que alguns gestores fechassem as portas, caso do veterano Richard Perry, que até recentemente administrava uma das firmas mais antigas e com melhor desempenho.

Enquanto alguns gestores lucraram muito com apostas acertadas, nas quais receberam 20 por cento dos ganhos, muitos outros ficaram ricos com a comissão de 2 por cento, que embolsavam ganhando dinheiro ou não com as aplicações. As comissões subiram ainda mais quando fundos de pensão e outras instituições correram para os hedge funds depois do estouro da bolha da internet, na esperança de se protegerem contra futuras perdas nos mercados. Os ativos da indústria de hedge aumentaram para US$ 3 trilhões.

Retornos baixos

Os investidores levaram um tempo para fazer os cálculos. Um fundo com US$ 5 bilhões sob gestão e uma taxa de retorno de 5 por cento cobrou pelo menos US$ 100 milhões em comissão, além de ficar com cerca da metade do valor correspondente à sua parcela dos ganhos com o investimento.

Embora clientes tenham recebido apenas uma taxa líquida de 2 por cento sobre os ativos até agora, Tony James, presidente do Blackstone Group, o maior investidor em hedge funds, previu em maio que o setor deve encolher em quase 25 por cento nos próximos 12 meses. O número de firmas de hedge funds fechadas (782 nos primeiros nove meses) deve ser o maior desde 2008, enquanto o total de startups fechando as portas (576), o menor no período.

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