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Kremlin vai da euforia a preocupações com Trump, dizem fontes

Henry Meyer, Ilya Arkhipov e Irina Reznik

(Bloomberg) -- A televisão russa vem dando a Donald Trump a cobertura elogiosa que costuma ser reservada a Vladimir Putin. O propagandista mais popular da mídia local se refere ao presidente eleito dos EUA como "um homem de palavra".

Mas dentro do Kremlin, a euforia inicial com a perspectiva de um admirador de Putin na Casa Branca dá lugar a ceticismo quanto à possibilidade de qualquer trégua ser alcançada nas relações com os EUA, segundo quatro representantes do alto escalão do governo em Moscou.

Acusações de que Putin contratou hackers para ajudar a eleger Trump e o vazamento de um dossiê alegando que o Kremlin tem material para chantageá-lo abalaram Washington, que discute uma proposta para impor sanções ainda mais duras à Rússia e que vem ganhando apoio de ambos os partidos. Diante disso, muitos dos escolhidos para compor o governo de Trump foram forçados em suas audiências de confirmação no cargo a exibir uma postura mais rígida em relação à Rússia e antes do que o Kremlin esperava, disseram as fontes.

É uma faca de dois gumes para Putin, que passou os últimos 16 anos tentando restaurar um pouco do brilho de superpotência que a Rússia perdeu. Com o país de volta ao centro das atenções dos EUA, os críticos de Putin ganharam força, de acordo com Alexei Chesnakov, que já ocupou um cargo sênior no Kremlin e hoje é conselheiro do partido de situação Rússia Unida.

'Mudança sensível'

"Houve uma mudança sensível nas expectativas no Kremlin", disse Chesnakov. "A liderança entende claramente agora que restaurar os laços não será fácil e que mais escândalos vão piorar essas probabilidades."

As declarações do próprio Trump sobre a Rússia são frequentemente contraditórias e preocupantes para o país, de acordo com as fontes. Um exemplo é o alívio das sanções impostas após Putin ter anexado a Crimeia, que fazia parte da Ucrânia, em 2014. No mês passado, Trump declarou que os EUA deveriam expandir "grandemente" sua capacidade nuclear e parecia convocar uma nova corrida de armas. Mas em entrevista à mídia europeia nesta semana, ele disse que os arsenais atômicos deveriam ser reduzidos "muito substancialmente" e vinculou um possível acordo de armas com Putin ao alívio nas sanções.

O Kremlin e outras autoridades afirmam que só vão julgar os comentários de Trump e seus indicados após a posse.

O próprio Putin saiu em defesa de Trump na terça-feira. Ele disse que alegações contidas no dossiê vazado ? como a Rússia ter uma gravação comprometedora do bilionário farreando com prostitutas em Moscou ? são "fabricações óbvias".

"Acho difícil acreditar que ele tenha corrido para algum hotel para encontrar meninas de moral duvidosa, embora as nossas sejam sem dúvida as melhores do mundo", disse Putin.

O Kremlin também estendeu a mão à equipe de transição de Trump, com um convite para enviar um representante às negociações que está promovendo no fim deste mês para acabar com a guerra civil na Síria, mas nenhuma decisão foi anunciada ainda.

Autoridades russas podem estar deliberadamente reduzindo suas expectativas em relação a Trump para esfriar suspeitas de que ajudaram secretamente a campanha dele. O FBI e cinco outras agências do governo americano fazem uma investigação conjunta para apurar se a Rússia colaborou para a vitória de Trump em novembro, inclusive por meio do financiamento de hackers, segundo publicação da McClatchy na quarta-feira, citando duas pessoas não identificadas.

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