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Gripe aviária pode abrir espaço para frango brasileiro

Manisha Jha, Gerson Freitas Jr. e Isis Almeida

(Bloomberg) -- A proliferação de focos da gripe aviária na Ásia e na Europa pode levar a um aumento das exportações de frango do Brasil.

Maior exportador mundial de frango, o Brasil segue sem registrar casos da doença, que está levando ao abate em massa de aves em outras partes do mundo -- mais de 30 milhões somente na Coreia do Sul. A expectativa da indústria é que o Brasil preencha a lacuna deixada por países que tiveram suas exportações banidas após registros da doença. 

Os Estados Unidos, o segundo maior exportador, também podem se beneficiar se conseguir manter seus plantéis imunes até o fim do inverno, quando o risco de contágio é maior. Como as aves selvagens migratórias são portadoras da doença, existe o risco de que ela continue se espalhando, informou o Société Générale em relatório, no início do mês.

"A situação global piorou desde o meio de dezembro", afirma Nan-Dirk Mulder, analista do Rabobank International em Utrecht, Holanda. "Países como o Brasil e os EUA irão capturar market share da União Europeia em mercados internacionais."

Mesmo sem levar em conta o impacto da gripe aviária, as exportações de frango do Brasil devem crescer até 5 por cento neste ano, para 4,6 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O Brasil nunca foi atingido pela gripe aviária e superou os EUA como maior exportador de frango há uma década.

A demanda dos países que proibiram as importações ou abateram aves para conter o vírus poderá aumentar. É o caso da China e de algumas partes da UE, que estão entre os principais clientes do Brasil. Os países europeus abateram mais de 1,5 milhão de aves desde 19 de outubro, e o número poderá mais do que dobrar, informou a Organização Mundial da Saúde Animal, ou OIE, neste mês.

Cerca de metade dos casos do tipo altamente patogênico H5N8 encontrado na Europa desde outubro estava em frangos e o restante, em aves selvagens, informou a OIE. As exportações de aves da UE, maior exportadora depois do Brasil e dos EUA, totalizaram 1,4 bilhão de euros (US$ 1,5 bilhão) nos nove primeiros meses de 2016, informou o Rabobank.

Os surtos recentes não foram tão ruins quanto os dos anos anteriores. Cerca de 16,8 milhões de aves foram abatidas em todo o mundo por causa dos tipos altamente patogênicos da doença em 2016, quase a metade da quantidade do ano anterior, estima a OIE. Embora a infecção de humanos com o vírus seja rara, alguns tipos são conhecidos por causarem mortes.

O desempenho dos maiores exportadores dependerá de como eles atravessarão o restante do inverno (Hemisfério Norte), época em que a gripe aviária atinge seu pior momento. Enquanto o Brasil tem sem mantido imune, os EUA já passaram por dificuldades no passado e, neste mês, encontraram um caso em Montana. Em 2015, o pior surto da história americana causou a morte de 48 milhões de aves, reduziu as exportações de produtos derivados e custou ao governo federal quase US$ 1 bilhão.

"Um surto nos EUA mudaria completamente o jogo", disse Ricardo Santin, vice-presidente da ABPA. "Há bastante espaço para o Brasil ampliar as exportações, mesmo se os EUA continuarem sem ser afetados"

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