Volkswagen corta salários executivos em 37% por crise do diesel

Christoph Rauwald

(Bloomberg) -- A Volkswagen reduziu a remuneração dos executivos seniores em 37 por cento no ano passado, uma reação da fabricante de veículos alemã às críticas sobre os pacotes salariais generosos que pagava, na esteira do escândalo da fraude do diesel.

A remuneração dos membros do conselho administrativo caiu de 63,2 milhões de euros em 2015 para 39,5 milhões de euros (US$ 42 milhões), segundo o relatório anual da empresa com sede em Wolfsburg, publicado nesta terça-feira. A remuneração do ano passado teria sido ainda mais baixa se não fosse por um pagamento de 10 milhões de euros para a chefe de assuntos legais, Christine Hohmann-Dennhardt, que sairá da empresa após apenas um ano no cargo devido a conflitos com outros executivos.

Os salários, benefícios e bonificações do CEO Matthias Müller subiram 52 por cento, para 7,25 milhões de euros em 2016, seu primeiro ano completo no cargo, frente a 4,76 milhões de euros em 2015, quando esteve no cargo por apenas alguns meses após a saída repentina de seu antecessor, Martin Winterkorn, em decorrência da revelação da manipulação de emissões de modelos diesel.

Limites

A Volkswagen revisou seu sistema de remunerações no mês passado no intuito de orientá-lo mais em direção ao desempenho das ações que aos resultados da fabricante de veículos. As mudanças colocam um teto de 10 milhões de euros para a remuneração do CEO e um limite para a remuneração dos outros membros do conselho administrativo.

Os salários altos que a fabricante pagava anteriormente foram questionados após o escândalo da fraude das emissões, que até agora causaram 22,6 bilhões de euros em prejuízos à companhia.

Winterkorn, o ex-CEO, foi o executivo mais bem pago da Alemanha durante anos, quando a Volkswagen arrecadava lucros recorde. A política de remunerações era apoiada pelo governo do estado alemão da Baixa Saxônia, o segundo maior acionista da VW, e por dirigentes sindicais. Os investidores de fora não tinham voz na prática, já que a maioria das ações da fabricante com direito a voto é controlada pela Baixa Saxônia e pelos membros das famílias Porsche e Piech.

Os novos valores deixam a Volkswagen mais em sintonia com seus pares. A Daimler, controladora da Mercedes-Benz, pagou a seus principais gerentes 37,3 milhões de euros em 2015 e o conselho administrativo da BMW ganhou 34,8 milhões de euros.

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