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JPMorgan espera volta da volatilidade nos mercados emergentes

Selcuk Gokoluk

(Bloomberg) -- Está tudo calmo. Calmo demais.

O menor nível de volatilidade em quase dois anos nos mercados emergentes não vai durar, segundo gestores de recursos do JPMorgan Chase, da Lombard Odier e da North Asset Management, que estão se posicionando para conter o estrago quando a oscilação voltar com tudo.

"A volatilidade tem estado baixa por um período mais longo do que o normal", disse Zsolt Papp, gestor de carteiras de clientes da divisão de gestão de recursos do JPMorgan, que supervisionava US$ 1,8 trilhão em 31 de dezembro. "A maioria concorda, em princípio, que em algum momento haverá uma correção. O complicado é quando isso vai acontecer."

A flutuação das moedas de nações em desenvolvimento caiu na semana passada para o menor nível desde julho de 2015. Nas bolsas, a oscilação é a menor em quase três anos, uma vez que o aumento da taxa básica de juros nos EUA não provocou a queda das ações e o resultado das eleições na Holanda aliviou temores sobre a possibilidade de partidos populistas desestabilizarem a zona do euro. Papp não confia na tranquilidade e, como defesa, está tomando empréstimos em moedas de regiões onde o juro é baixo e aplicando em ativos de alto rendimento de outros países.

Os indicadores de volatilidade estão avançando pelo segundo dia, após a mínima atingida na sexta-feira. Para a North Asset Management, a eventual disparada das oscilações de preços vai afastar investidores de varejo. Na opinião da Lombard Odier, os mercados estão ignorando os riscos. A situação atual remete ao período de calmaria de 2015, que terminou em agosto daquele ano, quando o Banco Popular da China tomou providências para desvalorizar o yuan, causando turbulência e perdas com ativos de mercados emergentes.

Estes foram alguns dos comentários de Peter Kisler, gestor da North Asset Management, fundo de
hedge que administra cerca de US$ 1 bilhão:

"Em 2015, era fácil ser otimista. Os títulos estavam extremamente baratos, as moedas estavam extremamente baratas. Era bem mais fácil ter posição comprada na ocasião, fechar os olhos e esquecer da volatilidade. Agora, uma pequena alta da volatilidade zera ganhos com carregamento no mercado de crédito no mesmo dia ? por causa dos níveis e também do espaço limitado para ganhos."

"Temos posições vendidas em aproximadamente 15 mercados emergentes, excluindo títulos do Brasil e Rússia. Temos posições vendidas em locais do Oriente Médio, Ásia e América Latina. Não há um fator único capaz de arrebentar os mercados amanhã, mas diversos ativos parecem caros neste contexto de mercado."

"Estamos em um período sem precedentes de baixa volatilidade. O importante é não correr atrás de retorno agora. É preciso ficar alguns meses sem ganhar dinheiro, mas depois haverá boas oportunidades. Eu gostaria de ver um bom aumento da volatilidade que elimine posições - há muitos investidores de varejo comprando por meio de fundos negociados em bolsa e eu gostaria que essas posições fossem reduzidas um pouco."

Estes foram alguns dos comentários de Salman Ahmed, estrategista-chefe de investimentos da Lombard Odier Investment Managers, que supervisiona 45 bilhões de francos suíços (US$ 45,3 bilhões):

"Crises de verdade acontecem quando os dados subjacentes começam a se deteriorar e uma recessão é iminente. Nada nos dados globais sugere recessão iminente. O que nos preocupa, além dos riscos políticos, é que, no curto prazo, a disparada do mercado acionário dos EUA foi longe demais."

Títulos em inglês: Don't Count on Calm as JPMorgan Sees EM Volatility Returning

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