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Europa está mais preocupada com frango que com carne do Brasil

Agnieszka de Sousa e Manisha Jha

(Bloomberg) -- O maior motivo de preocupação dos inspetores de alimentos europeus nos últimos anos não é a carne bovina brasileira, e sim o frango produzido no país.

O Brasil, envolvido em um escândalo de carne estragada que levou à proibição de importações de sua carne bovina e de frango, desde 2014 tem visto a Europa reportar uma quantidade maior de riscos "graves" relacionados às aves do país do que ao gado. O problema mais comum do maior fornecedor da Europa é a salmonela no frango congelado.

O número de eventos graves neste ano já supera o de todo o ano de 2016 e, no ritmo atual, ultrapassará os 59 reportados em 2014, segundo o website do Sistema de Alerta Rápido para Gêneros Alimentícios e Alimentos para Animais da Comissão Europeia. Não houve nenhum para outros tipos de carne neste ano e apenas um no ano passado.

O Brasil se apressou a assegurar aos consumidores de que sua carne bovina é apta para consumo após a deflagração da Operação Carne Fraca, que investiga supostos pagamentos de propina a agentes federais de inspeção para autorizarem a venda e exportação de carne estragada. O escândalo sacudiu o comércio global e levou alguns países a imporem proibições. Apesar de não ter feito o mesmo, a UE impediu quatro fornecedores de exportarem carne para a região e afirma que está monitorando a situação de perto. O Ministério da Agricultura do Brasil não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

O escândalo "deveria servir de alerta para a Europa de que mesmo que a documentação esteja correta e seja autêntica, existe a possibilidade de que o que está escrito no documento não seja certo", disse o professor Chris Elliott, pró-vice-reitor da Faculdade de Medicina, Saúde e Ciências da Vida da Universidade Queen de Belfast, com trinta anos de experiência em pesquisas sobre segurança alimentar. "Precisamos de um nível mais alto de verificações e inspeções de todos os produtos que chegam na Europa."

O comissário da UE para Saúde e Alimentos, Vytenis Andriukaitis, se reuniria com o ministro da Agricultura do Brasil nesta terça-feira, em Brasília. A Comissão e os estados-membros da UE se reunirão na quarta-feira em Bruxelas para estabelecer uma abordagem consistente para a verificação das importações de carne brasileira.
O Brasil ganhou impulso nos últimos dias depois que a China, o Chile e o Egito cancelaram algumas restrições às importações. A China, o maior mercado de exportação de carne brasileira, vai suspender as restrições, exceto para produtos processados em 21 fábricas que ainda estão sendo investigadas pelas autoridades, segundo o Ministério da Agricultura do Brasil. A JBS, maior produtora de carne do mundo, também afirmou que poderá começar a reduzir os cortes autoimpostos em suas unidades brasileiras de carne bovina após o cancelamento das restrições de alguns países.

O Brasil é o maior exportador de carne bovina e de vitela para a União Europeia, cobrindo quase metade das necessidades da região. O bloco também importou 900.000 toneladas de aves no ano passado, mais da metade das quais procedia do Brasil.

Dados divulgados na segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostraram que o valor das exportações de carne caiu 19 por cento no período de sete dias até 26 de março, um novo revés para uma economia que ainda está tentando se recuperar de sua pior recessão.

"O Brasil é um dos maiores países exportadores de carne do mundo e se poderia pensar que seus padrões seriam bastante elevados", disse Elliot, da Universidade Queen. "Esta é a escala absoluta do que está acontecendo."

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