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Lufthansa alerta que Brexit afetará aéreas do Reino Unido

Richard Weiss, Benjamin D. Katz e Birgit Jennen

(Bloomberg) -- O CEO da Deutsche Lufthansa, Carsten Spohr, projeta que a França e a Alemanha vão adotar uma postura linha-dura com o setor de aviação do Reino Unido nas negociações do Brexit, o que ameaça perturbar as conexões aéreas em toda a Europa.

"Brexit é Brexit ? nosso setor não ficará isento", disse Spohr, que acompanhou a chanceler Angela Merkel em visitas de Estado e discutiu o assunto com autoridades da Alemanha, da França e da UE. "A abordagem básica é que cada setor queira fingir que não aconteceu nada. Isso é algo que os governos, e também a Comissão da UE, não vão admitir. Pelo que eu ouvi, você pode ter certeza disso."

Os voos entre os países da UE são regulamentados pelo tratado Céu Único Europeu, e provavelmente o Reino Unido precisará de um novo acordo depois que sair do bloco. Além disso, as aéreas britânicas que operam rotas de um estado europeu a outro provavelmente precisarão ter uma licença operacional com sede em algum lugar do continente. O Reino Unido deverá abandonar o mercado comum dois anos depois que o processo de divórcio for iniciado oficialmente nesta quarta-feira.

Será "praticamente impossível" que os governos cheguem a um acordo abrangente durante o tempo de negociações disponível, disse Spohr, CEO da maior aérea da Alemanha. Isso significa que haverá um período de transição com prováveis perturbações enquanto o setor se adapta às novas leis, disse ele.

Um representante do Ministério do Transporte alemão disse recentemente a um grupo de parlamentares em uma reunião fechada que o Reino Unido provavelmente perderá sua participação no acordo Céu Único Europeu e que um novo acordo precisaria ser negociado, segundo uma pessoa que participou da discussão e solicitou anonimato porque a reunião não foi aberta ao público.

Sem atalhos

As aéreas britânicas, como EasyJet e IAG, proprietária da British Airways, pediram que o Reino Unido e a UE protejam o acesso livre atual. Embora a IAG já tenha vários certificados operacionais europeus por meio de seus braços continentais, como a espanhola Iberia, a EasyJet, com sede em Luton, Inglaterra, continua no processo de estabelecer um certificado de operação aérea em um estado da UE.

O Conselho Internacional de Aeroportos indicou na semana passada que precisaria de um acordo com 18 meses de antecedência para evitar perturbações na rede durante a adoção das novas regulamentações. A irlandesa Ryanair Holdings pede um período de 12 meses para ajustar suas rotas e vendas de passagens depois de definidas as normas.

Spohr calcula que Merkel e o presidente francês, François Hollande, vão se opor a um tratamento especial para o setor, embora pessoas como o ministro britânico do Transporte, Chris Grayling, tenham pedido para dar prioridade ao setor aéreo nas negociações do Brexit.

"As empresas aéreas do Reino Unido dizem que querem um atalho", disse Spohr, que acompanhou Merkel em uma viagem à China em junho. "Mas isso é algo que o Sr. Hollande e a Sra. Merkel não vão fazer."

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