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Startups dos EUA preferem abrir capital a serem adquiridas

Alex Barinka, Alex Sherman e Alistair Barr

(Bloomberg) -- Quando se trata de encontrar a saída, algumas empresas de tecnologia dos EUA apostam que conseguem mais valor a partir de uma abertura de capital do que se forem adquiridas.

Negociações para aquisição de pelo menos cinco alvos com valor igual ou superior a US$ 1 bilhão fracassaram nos últimos meses, segundo pessoas a par do assunto. A Okta foi um exemplo. A fabricante de software de gestão empresarial com sede em São Francisco agora está promovendo a oferta pública inicial (initial public offering ou IPO) de suas ações.

Já a empresa de tecnologia de anúncios AppNexus, de Nova York, optou pelo chamado processo de duas vias, segundo fontes, no qual a companhia tenta ser vendida e também abrir o capital para que a melhor saída prevaleça.

De acordo com duas outras pessoas, a AppNexus não conseguiu chegar a um acordo com potenciais compradores sobre preço e então partiu para a segunda opção. Agora a empresa fez registro confidencial para uma abertura de capital, segundo uma dessas pessoas, que pediu anonimato porque a informação é privada.

Até há pouco tempo, as startups podiam contar com recursos privados generosos e os múltiplos implícitos também eram generosos. Assim, evitavam a dor de cabeça de lidar com investidores vindos do mercado acionário. Se uma companhia tivesse as duas opções de saída disponíveis (IPO e venda), a venda parecia mais atraente.

Agora o pêndulo está oscilando para o outro lado, de acordo com Lise Buyer, fundadora da consultoria de aberturas de capital Class V Group.

Snap e MuleSoft

A mudança se deve em parte ao sucesso de algumas aberturas recentes, segundo Buyer. Foi o caso da IPO da Snap, que teve 10 vezes mais interessados do que papéis disponíveis. A cotação se encontra 59 por cento acima do preço da abertura de capital. A fabricante de software de computação em nuvem MuleSoft se apreciou 46 por cento desde sua estreia na bolsa neste mês.

"As pessoas ficam empolgadas com a última transação", ela conta. "Elas se perguntam o que o mercado fez por elas recentemente."

Desde setembro, 17 empresas americanas de tecnologia e comunicação captaram US$ 6,3 bilhões por meio de aberturas de capital, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. No mesmo período um ano atrás, 13 empresas levantaram US$ 4,6 bilhões. As quatro empresas que estrearam em 2017 tiveram valorização média de 31 por cento, superando o ganho de 4,6 por cento do S&P 500.

A Okta foi avaliada em US$ 1,2 bilhão na última rodada de financiamento privado, em 2015, e decidiu pela abertura de capital após um ano tentando encontrar um comprador. Nenhum estava disposto a pagar mais de US$ 1 bilhão pela fabricante de software com oito anos de existência, disseram pessoas a par do assunto.

A companhia ainda consideraria uma oferta, mas a proposta teria de ser superior a US$ 2 bilhões agora que o processo de IPO está em curso, segundo uma das pessoas. Na segunda-feira, a Okta definiu os termos da abertura de capital, agendada para 6 de abril, e tentará captar até US$ 165 milhões. No teto do intervalo proposto, o valor de mercado da Okta após a operação seria de aproximadamente US$ 1,4 bilhão.

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