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Êxodo de empregos dos EUA ao México ignora ameaças de Trump

Thomas Black

(Bloomberg) -- Após o triunfo eleitoral de Donald Trump, o rio de fabricantes dos EUA que estavam estabelecendo a produção ao sul da fronteira diminuiu até se transformar em uma gota. A Ford Motor e a Carrier, atacadas por Trump no Twitter, descartaram planos de transferir empregos para o México em dois exemplos muito públicos dessa desaceleração.

Mas agora o ritmo está voltando a aumentar. Neste mês, a Illinois Tool Works fechará uma fábrica de autopeças em Mazon, Illinois, e se mudará para Ciudad Juárez. A Triumph Group reduzirá o pessoal que fabrica peças de compósito de fibra para aviões da Boeing em Spokane, Washington, e deslocará a produção para Zacatecas e Baja California. A TE Connectivity fechará uma fábrica de sensores de pressão em Pennsauken, Nova Jersey, em favor de outra em Hermosillo.

Embora Trump não tenha deixado de usar seu cavalo de batalha "EUA em primeiro lugar" e o futuro do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) continue incerto, "há um otimismo cauteloso e uma atitude esperançosa de que uma mentalidade mais tranquila prevalecerá em Washington", disse Ross Baldwin, CEO da Tacna Services, que facilita mudanças.

Baldwin viu a evidência: depois que seus negócios pararam completamente em novembro, ele agora está fazendo malabarismos com dois clientes que se mudarão para o México. A Tacna, com sede em San Diego, ajuda a administrar 4.500 trabalhadores no México, onde os salários fabris equivalem a cerca de um quinto da remuneração nos EUA. Isto pode explicar por que os empregos industriais cresceram 3,2 por cento no México em janeiro em relação ao ano anterior e caíram 0,3 por cento nos EUA.

O recomeço do êxodo mostra como será difícil para Trump mudar o rumo macroeconômico só com pressões. Nesta semana, ele anunciou um investimento da Ford em fábricas em Michigan com uma fanfarrice em letras maiúsculas: "EMPREGOS! EMPREGOS! EMPREGOS!". Contudo, a injeção de US$ 1,2 bilhão só vai criar ou reter 130 vagas (embora a Ford tenha cancelado em novembro planos para construir uma fábrica de US$ 1,6 bilhão no México, arrancando elogios de Trump, ela emprega mais de 7.000 pessoas nesse país).

Os planos de Trump para renegociar o Nafta e as declarações sobre taxas alfandegárias punitivas não conseguem eliminar a necessidade de fabricar em países com custos mais baixos, disse Alan Russell, CEO da Tecma Group, uma empresa com sede em El Paso, Texas, que também ajuda a abrir e operar fábricas no México. Empresas europeias recorrem à República Tcheca pelos salários baixos, e a Ásia tem o Vietnã. Os EUA precisam do México para manter a competitividade em produtos que exigem muita mão de obra, disse ele.

Em uma sessão conjunta do Congresso no mês passado, Trump repetiu seu refrão de que "tornará muito mais difícil para as empresas sair de nosso país". Porém, os recentes reveses sofridos por ele - proibições de viagem bloqueadas por tribunais e um projeto de lei sobre assistência médica descartado por seu próprio partido - destacam as limitações do poder presidencial e a dificuldade que ele pode encontrar para punir empresas ou reformular o Nafta.

"Mesmo analisando os piores cenários possíveis, faz sentido dar continuidade aos planos de negócios", disse Russell. "Este é um mundo competitivo."

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