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Com Trump na Casa Branca, as mulheres vão ao ataque ou recuam?

Rebecca Greenfield

(Bloomberg) -- O círculo da Lean In para os setores imobiliário e de finanças se reúne mais ou menos a cada 30 dias na cidade de Nova York. Durante dois anos, suas associadas discutiram o machismo que esses segmentos enfrentam, desde fazer anotações em reuniões até trabalhar de babá dos filhos de chefes por US$ 25 por hora para então ver suas carreiras irem por água abaixo depois de pressionarem por uma promoção.

Todos esses temas estão sob o lema da LeanIn.Org, que defende a igualdade no local de trabalho para mulheres de todas as classes econômicas e tendências políticas. A organização, de âmbito nacional, tem uma mensagem muito clara: esses diálogos têm a ver com empoderamento e progresso, e não com partidos políticos.

Então, Donald Trump foi eleito presidente. As associadas do grupo do setor imobiliário tinham a expectativa de que a vitória de Hillary Clinton "abrisse uma janela de esperança, que se você trabalhasse duro o bastante e fosse igualmente qualificada, poderia chegar lá", disse Berta Willisch, fundadora do círculo, que conta com 141 associadas. A eleição de um homem que fez declarações vulgares sobre as mulheres e prometeu reverter o direito ao aborto, garantido a elas pela Suprema Corte, desfez essas esperanças, disse Willisch, levando o círculo a debater sobre o que as mulheres devem fazer para se protegerem da nova administração.

Em todo o país, mais mulheres estão participando de movimentos ativistas do que nas últimas décadas. No dia seguinte à posse de Trump, milhões foram às ruas no mundo todo, e cada vez mais mulheres estão visando cargos políticos. Grupos como o Emily's List e o VoteRunLead revelam um interesse sem precedentes em programas para treinamento de candidatas desde as eleições.

Este poderia ser o momento para a Lean In conseguir avanços em sua causa, depois daquilo que sua fundadora, Sheryl Sandberg, diretora operacional do Facebook, descreveu como uma tentativa em grande parte malsucedida de fazer progressos nas carreiras das mulheres. A organização não governamental, que afirma contar com mais de 32.000 círculos em 151 países, já tem infraestrutura de organização. Sua plataforma on-line de fácil acesso pode ajudar as mulheres a encontrarem círculos próximos que se reúnem de acordo com os tipos de trabalho, setores ou regiões.

"A terrível ameaça não é que as mulheres não conseguirão 'chegar à diretoria'. É que nós vamos morrer devido a um aborto inseguro."

Mas a Lean In (expressão que significa ser assertivo), que Sandberg fundou há quatro anos após o sucesso de seu manifesto de mesmo nome, diz que está determinada a permanecer apartidária -- sem claramente articular a linha entre partidarismo e o meramente político, ou entre o político e o profissional, ou como pretende caminhar sobre essa linha. Em um momento em que a política nacional -- mulheres experientes perdem postos importantes para homens menos experientes e mais agressivos -- reflete as dificuldades que inicialmente levaram muitas profissionais a buscar a Lean In, a maioria dos círculos da organização ainda está engajada em aumentar a conscientização da nova geração. Os assuntos abordados, que variam de sutis atitudes desrespeitosas a sérios casos de discriminação na carreira, podem ser vitais para o sucesso das mulheres, mas é cada vez mais difícil ver tais temas como algo separado de um discurso nacional mais amplo.

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