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Pesquisas de intenção de voto surpreendem com acerto na França

Gregory Viscusi

(Bloomberg) -- A surpresa foi que não houve surpresa.

Por mais que tenha se falado de eleitores ocultos, de apoiadores tímidos da Frente Nacional e da disparada da abstenção, os resultados do primeiro turno da eleição presidencial na França saíram exatamente como as pesquisas previam. Após os desfechos inesperados que foram o referendo no Reino Unido pela saída da União Europeia e a vitória de Donald Trump à presidência dos EUA, a indústria de pesquisas eleitorais deu uma virada.

"Não se desesperem", respondeu Bruno Jeanbart, vice-diretor-gerente da OpinionWay, quando lhe perguntaram se tinha um recado para seus colegas britânicos e americanos. "As sondagens ficaram mais difíceis, mas nossas ferramentas ainda funcionam."

Contudo, indo mais a fundo, os resultados na França não oferecem tanta esperança aos que ambicionam saber o sentimento do eleitorado antes de eleições no Reino Unido e na Alemanha neste ano.

O sucesso do fim de semana provavelmente tem mais a ver com a natureza do sistema francês e seu eleitorado e menos com as técnicas dos pesquisadores, segundo Anthony Wells, diretor associado de pesquisa política da YouGov Plc, em Londres. Embora Wells elogie a precisão de suas contrapartes na França, ele ressaltou que esses profissionais não enfrentaram as mesmas dificuldades observadas em outros países.

"Boa parte do problema com as pesquisas recentes é lidar com o aumento dos movimentos populistas e de protesto, seja o Brexit no Reino Unido ou Donald Trump nos EUA", ele disse. "Os franceses têm uma longa história de votar na Frente Nacional e, antes disso, no Partido Comunista."

Quatro no páreo

Ainda assim, os institutos de pesquisa da França temiam que este ano encerrasse sua tradição de sucesso. O movimento En Marche!, de Macron, era totalmente novo e, assim, é mais difícil julgar a lealdade de potenciais eleitores. A projeção final tinha quatro candidatos separados por menos de cinco pontos.

Os mercados balançaram na semana passada, quando o aumento das intenções de voto para Jean-Luc Melenchon, apoiado por comunistas, acrescentou outro elemento de incerteza. Três dias antes da eleição, segundo Jeanbart, os candidatos tinham "chances de sucesso quase idênticas".

No fim das contas, como todas as pesquisas dos últimos dois meses indicaram, o centrista Emmanuel Macron e Marine Le Pen, da Frente Nacional, é que vão disputar o segundo turno.

"Havia um pouco de nervosismo porque foi uma eleição complicada", disse Jeanbart após a divulgação dos resultados. Macron levou 23,8 por cento dos votos no domingo ? exatamente a projeção final calculada pelo Bloomberg Composite em cima das pesquisas para o primeiro turno. Le Pen garantiu 21,5 por cento, ou 1,3 ponto percentual a menos do que o previsto. As parcelas do conservador François Fillon, de 19,9 por cento, e de Jean-Luc Melenchon, de 19,6 por cento, ficaram a menos de um ponto de diferença das pesquisas.

Histórico

Os modelos acertaram de modo parecido nas eleições de 2012 e 2007, mas erraram em 2002, ao não preverem que o pai de Marine, Jean-Marie, enfrentaria o socialista Lionel Jospin no segundo turno. O erro ensinou os pesquisadores a calibrar o apoio à Frente Nacional.

Outra vantagem da França é que lá a população participa mais das eleições, o que significa potencial menor de eleitores inesperados ou ocultos. Além disso, é mais fácil modelar uma votação nacional única do que os resultados de 650 eleições individuais ao parlamento britânico ou as 50 competições estaduais que decidem a presidência dos EUA.

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