Otimismo com Macron encobre crise histórica na política europeia

Marc Champion

(Bloomberg) -- Emmanuel Macron, o favorito para ganhar a eleição presidencial da França no mês que vem, foi saudado como o possível salvador dos mercados financeiros e da União Europeia. Isso exige ter muita fé.

O problema é que ele pode estar se encaminhando a um terreno onde outros afundaram antes dele. O desafio de reformar a França foi demais para o ex-presidente Nicolas Sarkozy e está ficando cada vez mais difícil à medida que uma nova divisão entre os paladinos do protecionismo nacionalista e os defensores das fronteiras abertas reorganiza a política do pós-guerra em todo o mundo ocidental.

A Europa está passando por um "terremoto" político semelhante ao da era da industrialização, que gerou muitos dos partidos políticos tradicionais cujo apoio agora está desmoronando, disse Edoardo Bressanelli, palestrante sobre política do Kings College de Londres. Essa mudança sísmica permitiu que Macron preenchesse o vácuo quando os socialistas e os republicanos ficaram fora da corrida presidencial pela primeira vez em seis décadas. Mas isso também ameaça engolir Macron.

O risco ficou exposto na quarta-feira em uma fábrica da Whirlpool que vai fechar perto de sua cidade natal, Amiens, no norte da França, quando Macron tentava explicar aos manifestantes a importância de respeitar os direitos dos investidores estrangeiros.

Uma mulher lhe disse que eles estavam cansados de governos do establishment, que faziam promessas e não faziam nada por eles. "Eu não sou de esquerda, eu não sou de direita", gritou Macron ao grupo de trabalhadores irritados. Sua adversária, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen, prometeu manter a fábrica aberta. Ela atacou Macron dizendo que ele era um defensor da "globalização selvagem".

Futuro incerto

A questão não é tanto se Macron, 39, ganhará a eleição no dia 7 de maio, mas se ele acabará sucumbindo a essas forças. E se for assim, a alternativa populista de Le Pen estará pronta para agir.

Um dos problemas é que atualmente En Marche !, o movimento criado por Macron há um ano, não tem legisladores no Parlamento francês, e na eleição de junho terá dificuldade para obter os 289 assentos necessários para garantir uma maioria para governar. Portanto, Macron ainda terá que ter o apoio de legisladores dos grandes partidos derrotados para formar um governo e promulgar leis.

Para esses partidos, ajudar Macron a ter sucesso pode gerar conflitos, segundo Mark Leonard, diretor do European Council on Foreign Relations. Se ajudarem, eles correm o risco de perder eleitores para En Marche ! Se não ajudarem, talvez desperdicem a última chance de manter o tipo de mundo que desejam, impulsionando uma provável próxima candidatura de Le Pen à presidência em 2022.

"A votação do primeiro turno mostra que a França está em um estado de crise -- uma crise do Estado e uma crise da economia", disse Dominique Reynié, professor de política do Institut Sciences Po em Paris. "Minha opinião é que se em um espaço de três anos um assessor presidencial é capaz de se tornar presidente, é porque o sistema está desmoronando."

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