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Análise: Talvez haja relógios de luxo demais no mundo

Andrea Felsted

(Bloomberg) -- Há relógios de luxo demais no mundo. Essa foi a avaliação do presidente do conselho de administração da Richemont, Johann Rupert.

Rupert disse na sexta-feira que sua companhia fornece às varejistas de terceiros uma quantidade de modelos menor do que a que elas vendem, de modo que o número de relógios de sua marca no mercado está diminuindo.

Para ele, algumas rivais estão felizes inundando o mercado com seus produtos, um problema da incipiente recuperação do mercado de relógios na qual os investidores estão apostando.

A abordagem da Richemont mostra a continuidade da postura disciplinada adotada durante a última crise do mercado de luxo, com a recompra do estoque excedente e a demissão de cerca de 300 funcionários suíços para reduzir custos.

Mas as vendas do ano cheio foram menores que as esperadas -- em contraste com alguns desempenhos superiores às projeções anunciados por outras potências do luxo nas últimas semanas. E o crescimento das vendas no quarto trimestre ficou meramente em linha com o dos três meses anteriores em vez de aumentar como se esperava, gerando a maior queda das ações da empresa em 11 meses.

A avaliação de Richemont é mais uma evidência de que as expectativas de recuperação da demanda de todos os tipos de produtos de luxo, desde relógios até bolsas, não corresponderam à realidade. Não há dúvida de que o luxo está de volta -- basta ver o crescimento das vendas da LVMH e da Kering --, mas o setor se baseou em comparações fáceis e não há garantia de que a demanda por produtos de luxo continuará forte no restante do ano, quando as comparações se tornarem mais difíceis. É necessário que haja uma explosão de fusões e aquisições ou uma aceleração nítida da demanda para justificar preços próximos do pico.

Houve alguns aspectos mais positivos nos resultados de ano cheio da Richemont. O lucro operacional da empresa, de 1,8 bilhão de euros (US$ 2 bilhões), foi melhor que o esperado -- embora apresente queda de 14 por cento em relação ao ano anterior, ainda se trata de um desempenho decente se considerada a queda do mercado de luxo em 2016.

Mas mesmo com o declínio de sexta-feira, as ações da Richemont acumulam alta de cerca de 45 por cento desde meados de setembro, quando o grupo alertou para a queda do lucro líquido do ano cheio. As ações são negociadas a um indicador de preço/lucro estimado de 25 vezes, pouco à frente dos papéis da Swatch Group e com uma diferença significativa em relação ao grupo de pares do setor de luxo da Bloomberg Intelligence.

Parte disso se deve ao declínio dos resultados das fabricantes de relógios nos últimos 12 meses. Mas os números também refletem a esperança de que o mercado de relógios finalmente tenha virado a página.

De fato, as exportações de relógios suíços aumentaram pela primeira vez em 21 meses em março. E o mercado de luxo de forma mais ampla sem dúvidas deixou para trás os resultados ruins de 2016, quando a repressão à corrupção na China impactou a demanda por produtos de luxo no país e os ataques terroristas em Paris dissuadiram a chegada de visitantes acostumados aos gastos elevados.

Mas as avaliações foram além da conta, conforme a Bloomberg Gadfly apontou em fevereiro. O alerta de Rupert é um lembrete útil de que em algumas partes do cenário do luxo, pelo menos, a recuperação continua frágil.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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