Capital de risco busca modelo sustentável de delivery de comida

Olivia Zaleski

(Bloomberg) -- Nos últimos 12 meses, as empresas de delivery de comida têm servido muito pessimismo. Várias delas fecharam as portas. A mais recente é Maple, uma startup de Nova York financiada por capital de risco que fechou na semana passada. Outras, como Munchery, Postmates e Zesty, demitiram funcionários. A Sprig, financiada pela Accel e por outros investidores de capital de risco, consome US$ 850.000 por mês e procura comprador, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.

Mas os investidores de capital de risco ainda não desistiram do sonho do delivery barato de refeições com um aplicativo. Eles estão tentando encontrar formas de fazer isso com menos subsídios, ou até mesmo com menos rentabilidade. Funcionários de escritório famintos são um nicho promissor. Recentemente, investidores injetaram US$ 30 milhões na Eat Club, que entrega almoços pré-cozidos na área da Baía de São Francisco e em Los Angeles. A empresa, que afirma ser rentável, planeja usar o dinheiro para se expandir para Nova York.

A Eat Club oferece opções parecidas com as de Munchery ou Sprig, com uns 20 pratos principais por dia, mas só faz entregas a escritórios com 20 funcionários ou mais. Os trabalhadores podem fazer os pedidos em um aplicativo ou um site. Ao entregar as refeições do escritório juntas, a empresa estima que reduz 90 por cento dos custos por prato em comparação com as startups que entregam a pedido.

A Eat Club informou que seus entregadores transportam 20.000 refeições por dia, principalmente a empresas de tecnologia de médio porte, como a Flipboard. A Eat Club não quis revelar quantos clientes corporativos se cadastraram, mas afirmou que projeta gerar US$ 50 milhões em receita neste ano.

Esperanças

Investidores globais tinham muitas esperanças para o delivery de alimentos e desembolsaram US$ 4,1 bilhões em 2015, segundo a empresa de pesquisa CB Insights. Startups concorriam oferecendo campanhas de marketing elaboradas e grandes descontos aos clientes. Investidores de capital risco não demoraram a perceber que a entrega de refeições é um negócio complicado. Em 2016, os investimentos no setor caíram para US$ 1 bilhão, e algumas startups começaram a falir.

Como os investidores apertaram o cinto, as empresas tentam reduzir custos ou se vender. Ainda no ano passado, a Square negociava a venda de Caviar, seu aplicativo de entrega. A Munchery, que consumiu cerca de US$ 120 milhões, demitiu funcionários e recapitalizou suas ações em março. A Sprig não recebe financiamento desde 2015. Enquanto procura comprador, a Sprig passou a vender suas refeições em aplicativos da concorrência, como Caviar, para manter as cozinhas ocupadas. A Spring não quis fazer comentários sobre as discussões de acordo.

Ainda há motivos para o otimismo. O Morgan Stanley projetou que o mercado americano de entrega de refeições poderia crescer dos atuais US$ 11 bilhões para US$ 210 bilhões em algum momento do futuro.

Mas a era do boca-livre acabou, diz Howard Hartenbaum, sócio da empresa de capital de risco August Capital. Ele disse que sua companhia analisou mais de uma dúzia de empresas de delivery antes de investir na Eat Club. Ele estimou que entregar uma única refeição a tempo na maioria das cidades americanas custa cerca de US$ 12,50.

"Ficou óbvio que não se pode ganhar dinheiro com entregas individuais; o custo de uma única refeição é muito baixo para ocultar as taxas associadas", disse Hartenbaum. "Quem quer subsidiar uma empresa sem chance de lucros?"

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