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Números de desigualdade salarial viram arma de consultorias

Laura Colby e Jordyn Holman

(Bloomberg) -- As empresas de consultoria global PwC, EY e Deloitte brigam todos os anos pela contratação de milhares de jovens recém-formados na faculdade. No Reino Unido, a PwC está ganhando uma vantagem em relação às rivais ao tornar-se a primeira das três a divulgar seus números de remuneração por gênero -- quase um ano antes do prazo final de declaração imposto pelo governo, de 2018 -- e também a maior empresa privada a fazê-lo até o momento.

"Elas estão tentando minimizar o risco", disse Andrew Chamberlain, economista-chefe do site de busca de empregos Glassdoor. Ao divulgar os números antecipadamente, a PwC "consegue controlar a mensagem", disse ele.

A PwC, que emprega mais de 19.000 pessoas no Reino Unido, afirmou na quinta-feira que suas funcionárias ganham em média 13,7 por cento menos que os homens em salários e impressionantes 37,5 por cento menos em bônus. A diferença se deve principalmente ao fato de os homens dominarem os cargos seniores, disse Laura Hinton, chefe de pessoal da PwC, em comunicado, e é menor que a diferença de 15 por cento reportada pela empresa no ano passado. "Estamos empenhados em criar uma empresa inclusiva, justa e diversificada e a combater as causas subjacentes", disse ela.

A rival Deloitte ainda não divulgou seus números ao governo, mas informou em 2016 que suas disparidades salariais entre gêneros permaneciam em 16,8 por cento, contra 17,8 por cento no ano anterior. Ao analisar funcionários com níveis de emprego semelhantes, a diferença salarial foi de 1,8 por cento no ano passado, maior que o número de 2015, de 1,5 por cento.

A EY não informou nenhum número sobre diferença salarial entre gêneros no Reino Unido, mas planeja publicá-los antes do prazo final, segundo um porta-voz da empresa.

'Marca empregadora'

"A questão de haver ou não haver diferença salarial entre homens e mulheres é um problema para a marca empregadora", disse Chamberlain, da Glassdoor. "É algo que pode ter um grande efeito sobre a atratividade de uma empresa perante possíveis candidatos, especialmente entre os trabalhadores mais jovens." Nos EUA, 60 por cento dos funcionários consultados pela Glassdoor disseram que não trabalhariam em uma empresa que registrasse disparidade nas quantias pagas a homens e mulheres, disse ele.

Embora todas as empresas disputem talentos, as grandes consultorias estão entre as maiores empregadoras do setor privado no mundo, contratam milhares de profissionais formados todos os anos e lutam para se diferenciar umas das outras. Em ranking divulgado nesta semana pela Universum, as empresas aparecem em quarto, quinto e sexto lugares entre as empregadoras mais atraentes na visão dos formados na universidade em todo o mundo -- com EY à frente, seguida por PwC e Deloitte. (Google, Goldman Sachs e Apple figuram em primeiro, segundo e terceiro).

"Os estudantes buscam uma remuneração justa, uma direção clara e transparência", disse Jonna Sjovall, diretora-geral da Universum para as Américas.

Na PwC, os números de desigualdade salarial mostram que as mulheres estão agrupadas na parte inferior da hierarquia corporativa. Apenas 18 por cento dos sócios são mulheres. A empresa está tentando ampliar seus números por meio de programas para mulheres que voltam a trabalhar após uma pausa prolongada, de programas de orientação e do estabelecimento de metas para ocupação de cargos de liderança por mulheres. Quando ajustada pelo nível do emprego, a disparidade salarial entre gêneros diminui para 2,9 por cento. A PwC publicou seus números porque "acreditamos que isso nos ajuda a focar no que precisamos fazer", disse Jamie Harley, porta-voz da empresa.

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