Aposentados ricos do Japão criam mercado para trens luxuosos

Chris Cooper e Keiko Ujikane

(Bloomberg) -- O presidente da maior ferrovia de Kyushu tinha um problema: pouca gente pegava seus trens. A população estava envelhecendo, e, como os aposentados não precisam ir para o trabalho, o truque foi fazer com que as pessoas desejassem algo de que não necessariamente precisavam. Uma solução: trens ultraluxuosos.

O sucesso foi tão grande que duas das principais companhias ferroviárias do Japão imitaram. Em maio, a East Japan Railway lançou sua versão, um trem leito de 10 vagões que transporta 34 passageiros em absoluto esplendor. Uma recriação moderna do antigo Expresso do Oriente, ele tem paredes e tetos que parecem favos de mel de vidro, um pianista e cardápios elaborados por chefs premiados com estrelas Michelin. Embora as passagens custem US$ 8.400 para uma viagem de três noites, o trem está totalmente reservado até março.

Após sete recessões em duas décadas, é fácil esquecer que o Japão ainda tem muito dinheiro. O país tem mais milionários do que em qualquer outro, à exceção dos EUA, e, de acordo com a Bain & Company, seu mercado de luxo foi o único no mundo a crescer no ano passado. Símbolos de status fabricados na Europa, como bolsas Hermès e relógios Rolex, continuam sendo a preferência na hora de esbanjar, mas agora legiões de aposentados japoneses estão gastando em viagens de primeira classe.

"O Japão é um ótimo mercado de luxo", disse Greg Schulze, um executivo da agência de viagens virtual Expedia. "E o mercado de viagens só está acompanhando o ritmo."

O país está em voga entre os viajantes estrangeiros, que o visitam em números recorde. Mas pessoas como Fujio Umemoto, um japonês mais velho que possui um iate com amigos, são os principais clientes do turismo de alto nível.

Depois de décadas economizando e de receber um pacote de aposentadoria, o bronzeado homem de 67 anos diz que agora tem muito tempo e dinheiro para gastar. Ele não quis revelar quanto recebeu, mas, no ano passado, a pessoa média que se aposentou após uma vida de trabalho na mesma empresa obteve um bônus de despedida de US$ 210.000, de acordo com uma pesquisa da Federação Empresarial do Japão.

"Minha hipoteca está paga, terminei de educar meus filhos, agora estou concentrado apenas em me divertir", disse Umemoto. "Eu não preciso de mais coisas. Quero gastar meu dinheiro em memórias e experiências."

A economia do Japão não produz muitas pessoas extremamente ricas ? apenas seis japoneses entram na lista Bloomberg das 500 pessoas mais ricas do mundo, em comparação com 164 americanos ?, mas está produzindo milhões de milionários. Na verdade, o Japão tem mais pessoas com ativos líquidos no valor de US$ 1 milhão ? 2,7 milhões delas ? do que a Alemanha e a China juntas, de acordo com o Relatório de Riqueza Mundial da empresa de consultoria Capgemini.

Em um país cuja população está encolhendo, os idosos e os ricos são dois grupos demográficos sobrepostos que estão crescendo. Um aumento no mercado de ações ajudou a incrementar a proporção de milionários japoneses em 11 por cento em 2015, o ano mais recente nos dados da Capgemini.

"A configuração da sociedade japonesa cria pessoas um pouco ricas", disse Hiroyuki Miyamoto, consultor do Nomura Research Institute em Tóquio.

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