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Opep e Rússia manterão acordo apesar da abundância de petróleo

Grant Smith

(Bloomberg) -- O plano da Opep e da Rússia para eliminar o excedente global de petróleo não funcionou como esperavam, mas há pouca expectativa de que os maiores produtores do mundo tomem medidas mais enérgicas quando se reunirem neste fim de semana.

O petróleo entrou em bear market e os estoques continuam persistentemente elevados apesar do acordo entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e 10 países de fora do grupo para reduzir a produção. A implementação de limites à oferta está vacilando em um momento de restauração da produção perdida de Líbia e Nigéria.

O problema para os ministros que se reúnem em São Petersburgo para analisar o progresso do acordo é que as alternativas parecem não ser muito melhores que a situação atual. Se a Opep abandonar o acordo e aumentar a produção de petróleo, uma nova queda nos preços causaria mais dificuldades a suas economias. E apesar da alta que gerariam, novos cortes à produção poderiam estimular fluxos ainda maiores das produtoras de xisto dos EUA.

"Eles estão entre a cruz e a espada", disse Mike Wittner, diretor de pesquisa do mercado de petróleo do Société Générale, em Nova York. "A conclusão é que não funcionou" e "se cortarem mais, quanto mais apoiarem os preços, mais apoiarão a produção dos EUA".

Os preços do petróleo eliminaram todos os ganhos registrados desde que a Opep e a Rússia montaram uma coalizão de produtores em dezembro para tentar acabar com os dois anos e meio de depressão do mercado. Apesar das previsões de que as medidas reduziriam os inchados estoques internacionais de petróleo, isso não parece estar acontecendo, afirmou a Agência Internacional de Energia (AIE) em 13 de julho.

O acordo entre a Opep e seus aliados foi minado antes mesmo de começar a valer, já que grandes produtores como Arábia Saudita, Rússia e Iraque ampliaram suas exportações antes do fim do prazo de redução da produção. O pacto enfrenta um desafio adicional com o fato de Nigéria e Líbia, que estavam isentas de cortes por enfrentarem crises políticas, estarem recuperando a produção.

"O problema subjacente é que Líbia e Nigéria, combinadas, produzem significativamente mais do que todos previam", disse Ed Morse, chefe de pesquisa de commodities do Citigroup em Nova York.

Adesão fraca

Apesar de os dois países terem sido convidados para o encontro em São Petersburgo, nenhum deles estaria disposto a reduzir a oferta mesmo que recebessem um pedido do tipo, disse Morse. Além disso, como ambos os produtores estão perto dos limites de sua capacidade, qualquer acordo para limitar os níveis atuais seria meramente simbólico, disse ele.

A adesão fraca entre os demais países representa mais um desafio. A implementação pelo Iraque -- que afirma que o corte de produção não deveria ter sido solicitado em um momento em que o país passava por tantas dificuldades econômicas e combatia os jihadistas do Estado Islâmico -- atingiu uma mínima de 29 por cento, segundo a AIE, que tem sede em Paris. O ministro do Petróleo do Equador, Carlos Pérez, disse na segunda-feira que seu país se retiraria do acordo, antes de minimizar os comentários no dia seguinte.

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