Cidade que mais odeia o Brexit busca se adaptar à realidade

Matthew Campbell

(Bloomberg) -- O Temple Quay Market de Bristol parece o Reino Unido que queria ficar na União Europeia.

Trabalhadores de tecnologia de jeans e camisa se misturam com advogados de terno escuro na feria de alimentos, cujas barracas vendem de tudo, de bao de barriga de porco de inspiração taiwanesa e enroladinhos de cordeiro grego até sanduíches de queijo grelhado com cogumelos. A poucos passos de distância, ciclistas atravessam uma ponte curva para pedestres sobre o rio Avon, a caminho do centro da cidade, que foi revitalizado.

Em um anfiteatro de pedra à beira do rio um microcosmo daquele microcosmo está almoçando: um grupo de funcionários da startup de software Boxarr. São quatro britânicos, dois expatriados franceses e um desenvolvedor de software grego, que chegou recentemente. Assim como os camelôs de vários sotaques do Temple Quay, eles estão fazendo o melhor que podem para seguir adiante -- mas estão preocupados com alguns dos obstáculos do Brexit.

"A incerteza de tudo isso tem sido prejudicial", disse Alasdair Pettigrew, o CEO, parando para dar uma mordida no sanduíche de peito defumado. "Eu acho que os danos, não apenas para nós, mas para toda a economia, vão começar a aparecer com o tempo. Nós teríamos crescido mais se os políticos tivessem feito um trabalho melhor."

Desafio

O desafio de Pettigrew é um comum neste verão do Hemisfério Norte, em que negociações trabalhosas sobre a saída do país começaram em Bruxelas. Com tanta coisa em discussão, dos direitos de milhões de cidadãos que residem na UE até a futura relação comercial entre o Reino Unido e os 27 países da zona livre de taxas, planejar o futuro nunca foi uma tarefa tão árdua.

Essa é uma sensação particularmente forte em lugares como Bristol, uma cidade liberal com muitos imigrantes e 500.000 moradores que fica a cerca de 120 quilômetros a oeste de Londres. Na votação sobre o Brexit, 62 por cento dos eleitores votaram por permanecer na UE, uma margem ainda maior do que a da capital cosmopolita. A próspera economia de Bristol é movida pela tecnologia e pelo setor aeroespacial -- dois setores que se beneficiaram muitíssimo do talento europeu e dos laços comerciais que foram possíveis por pertencer à UE.

A Boxarr, uma das quatro empresas britânicas acompanhadas pela Bloomberg durante o processo do Brexit, está em ambos os setores. O software que leva seu nome foi pensado para ajudar empresas e governos a organizar grandes projetos de engenharia e é usado por clientes como a fabricante de aviões Airbus e a fabricante de motores Safran.

Problemas

Como a maioria das empresas britânicas que precisam de talentos técnicos, a Boxarr teve que se voltar ao continente para encontrar a equipe certa. Por enquanto, os cidadãos da UE ainda podem trabalhar sem problemas no Reino Unido, mas ninguém sabe ainda sob que regras ele poderão permanecer, e muito menos as regras para os que ainda vão chegar.

Para entrar em contato com o repórter: Matthew Campbell em Londres, mcampbell39@bloomberg.net.

Para entrar em contato com a editora responsável: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net.

©2017 Bloomberg L.P.

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