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Comissários de bordo alertam sobre odores perigosos

Justin Bachman

  • Getty Images/iStockphoto

(Bloomberg) -- O cheiro de combustível é muito comum na cabine de passageiros quando o avião está taxiando. Menos comuns são o cheiro de meia suja, de queijo rançoso ou de cachorro molhado --que também são indícios desagradáveis provenientes do motor.

Muitas vezes, esses odores se encontram no "ar comprimido" dos motores do avião, que é o ar que passa dos motores para o sistema de ar condicionado e depois para a cabine.

Em diversos sistemas --pressurização das cabines, pressão do armazenamento dos tanques de água, até mesmo no aquecimento para dissipar o gelo das asas-- esse ar é extremamente útil para operar o avião.

Contudo, quando as vedações dos motores se deterioram, o ar comprimido pode se misturar com emanações produzidas pelo óleo sintético do motor a alta temperatura. Se as concentrações forem suficientemente elevadas, a tripulação e os passageiros podem ficar doentes, o que obrigaria os pilotos a desviar a rota para o aeroporto mais próximo.

O incidente mais recente conhecido aconteceu em 2 de agosto nos EUA, quando um voo da JetBlue Airways com destino à Flórida desviou para Oklahoma City, onde várias pessoas foram atendidas por dificuldades respiratórias.

Em outubro de 2016, um Airbus A380 da British Airways que ia da Califórnia para Londres desviou para Vancouver depois que os 25 membros da tripulação ficaram doentes. Nesse caso suspeita-se de emanações na cabine.

Devido à possibilidade de ocorrência de uma catástrofe, esses "incidentes com emanações tóxicas" levaram as organizações sindicais das empresas aéreas a pressionar para que seja aprovado um projeto do Senado dos EUA chamado Cabin Air Safety Act (Lei de segurança do ar na cabine).

A legislação, do senador Richard Blumenthal, um democrata de Connecticut, exigiria que a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) criasse um formulário padrão para que os pilotos, os comissários de bordo e os técnicos de manutenção informassem incidentes.

Depois, a agência publicaria uma contagem trimestral, exigiria uma capacitação anual das tripulações para que elas pudessem detectar casos de emanações e obrigaria as empresas aéreas a instalarem sensores de monóxido de carbono em toda a frota.

Estimativas

Representantes da FAA e do setor não fizeram declarações diretas sobre a causa dos incidentes com emanações, nem sobre as maiores exigências sobre segurança e os relatórios dos funcionários das empresas aéreas ou as normas apresentadas para aprovação no Congresso.

Gregory Martin, porta-voz da FAA, disse que a agência recebeu relatórios de empresas aéreas sobre 98 ocorrências de emanações em quase 9 milhões de voos em 2015.

Kathy Grannis Allen, porta-voz de Airlines for America, um grupo de lobby do setor, disse por e-mail que a FAA afirmou no Congresso em 2015 que o "risco de ocorrência desses problemas" era "extremamente baixo".

A frequência de ocorrência dos vapores é difícil de avaliar, mas as estimativas chegam a 2,6 por dia. A Allied Pilots Association, que representa os pilotos da American, mencionou até 20.000 incidentes com emanações nos últimos dez anos, cerca de cinco por dia.

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