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Com US$ 1 tri parados, clientes de private equity abraçam ETFs

Sarah Jones

(Bloomberg) -- Com uma quantia recorde em dinheiro parado nas firmas de private equity, seus clientes estão partindo para fundos negociados em bolsa.

De acordo com BlackRock e State Street, duas líderes mundiais nesses instrumentos (conhecidos pela sigla ETF, de exchange traded fund), mais investidores institucionais estão colocando neles dinheiro originalmente direcionado a aplicações privadas. Esses investidores - planos de previdência, fundações e fundos que cuidam de doações e fortunas - são pressionados a cumprir metas e tentam obter retorno adicional sobre dinheiro que ficaria praticamente parado em instrumentos de renda fixa de altíssima liquidez.

"Eles não podem se dar ao luxo de deixar o dinheiro parado ou em investimentos de rendimento quase tão baixo quanto", disse Armit Bhambra, que faz parte da equipe institucional da iShares da BlackRock no Reino Unido. "É difícil justificar deixar o dinheiro parado por 24 meses, então eles precisam pensar em maneiras diferentes de cumprir esses tipos de mandatos."

Só no universo de private equity, o total em pólvora seca - jargão para quantia captada, mas ainda não investida - pode chegar a US$ 1 trilhão até o fim do ano, depois de atingir US$ 963 bilhões em julho, segundo dados da empresa de pesquisas Preqin. Assim, o tempo médio para os novos ingressos serem aplicados aumentou de um para três anos, de acordo com a State Street.

"A capacidade de empregar capital rapidamente diminuiu", disse Chirag Patel, responsável por inovação e consultoria da State Street na Europa. "Os investidores precisam de liquidez para rapidamente cobrir potenciais chamadas de capital, o que não é nada atraente neste ambiente, portanto a rota escolhida com mais frequência é usar um índice ponderado pelo capital. Eles estão comprando exposição a índices."

Os ETFs, que já movimentam mais de US$ 4 trilhões, proporcionam exposição instantânea e diversificada a uma classe de ativos, permitindo rápida liquidação para cumprimento de obrigações. Diferentemente de fundos tradicionais, eles estão expostos aos altos e baixos dos mercados subjacentes e há quem questione a liquidez dos ETFs que acompanham papéis inerentemente ilíquidos, como títulos de dívida de alto risco (junk bonds).

Os ETFs costumam espelhar o desempenho de um índice e podem ser comprados e vendidos ao longo do dia como uma ação. Eles caíram nas graças dos investidores individuais pela facilidade de uso e pelas taxas de administração reduzidas. Os investidores institucionais demonstram menos entusiasmo. Apenas uma em cinco instituições desse tipo nos EUA investe em ETFs atualmente, mas essa parcela está aumentando rapidamente, de acordo com a firma de pesquisas em serviços financeiros Greenwich Associates.

A BlackRock, que supervisiona quase US$ 1,5 trilhão em ETFs globalmente, tenta vender esses produtos aos investidores institucionais como substitutos mais simples para ações e derivativos individuais usados antigamente para gestão do caixa. Segundo a instituição, os fundos de pensão, pelo menos na Europa, estão abraçando ETFs para criar bolsões de liquidez em suas carteiras.

"Até encontrarmos ativos individuais atraentes, compraremos ETF", disse Leighton Shantz, diretor de renda fixa do Sistema de Aposentadoria dos Funcionários do Texas, que administra aproximadamente US$ 27 bilhões em recursos para trabalhadores do setor público.

No Reino Unido, a Associação de Previdência e Poupança Vitalícia, que representa 1.300 associados que administram 1 trilhão de libras esterlinas (US$ 1,3 trilhão), está recebendo mais questionamentos de beneficiários interessados em usar ETFs para alocação de recursos e gestão de caixa.

--Com a colaboração de Rachel Evans

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