China proibirá negociação de bitcoin em bolsas nacionais: Fontes

Bloomberg News

(Bloomberg) -- A China planeja proibir a negociação de bitcoin e outras moedas virtuais nas bolsas nacionais. Este é mais um golpe desferido pelo país contra o mercado das moedas criptografadas, que movimenta US$ 150 bilhões, depois de ter declarado na semana passada que as ofertas iniciais de moeda são ilegais.

A proibição só se aplicará à negociação de moedas criptografadas em bolsas de valores, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato porque a informação é privada. As autoridades não têm planos para deter as transações do mercado de balcão, disseram as pessoas. O banco central da China informou que não poderia comentar imediatamente.

O bitcoin caiu na sexta-feira depois que a revista Caixin noticiou os planos da China, limitando a maior recuperação semanal da moeda virtual em quase dois meses. O país responde por cerca de 23 por cento das transações de bitcoin e também é o lar de muitas das maiores mineradoras de bitcoin do mundo, que usam grandes quantidades de poder de computação para confirmar as transações na moeda digital.

"O volume de negociação definitivamente diminuirá", disse Zhou Shuoji, sócio fundador da FBG Capital, com sede em Pequim, que investe em moedas criptografadas. "Os usuários antigos com certeza continuarão negociando, mas o limite de entrada para os usuários novos agora está muito alto. Isso sem dúvida retardará o desenvolvimento das moedas criptografadas na China."

Embora a motivação de Pequim para proibir a negociação não esteja clara, ela surge em meio a uma ampla iniciativa para conter o risco financeiro antes de uma importante reorganização da liderança do Partido Comunista, programada para o próximo mês. O bitcoin deu um salto de cerca de 600 por cento em dólares nos últimos 12 meses, o que gerou receios com uma bolha. O Banco Popular da China realizou testes do protótipo de sua própria moeda criptografada, dando mais um passo para ser o primeiro grande banco central a emitir dinheiro digital.

"Houve um ajuste geral da regulamentação das condições financeiras e monetárias", disse Mark McFarland, economista-chefe do Union Bancaire Privée em Hong Kong. "Todas essas coisas sugerem um processo para intensificar a longo prazo a supervisão das atividades que não estão no terreno monetário normal."

OKCoin, BTC China e Huobi, as três maiores bolsas de bitcoin do país, afirmaram na segunda-feira que não haviam recebido nenhuma notificação dos órgãos reguladores sobre a proibição da negociação de moedas criptografadas. Todas as três registraram transações na segunda-feira, e o bitcoin subia 7,6 por cento na OKCoin às 17h09 do horário local.

Os usuários de bitcoin continuarão podendo negociar moedas criptografadas na China fora das bolsas, mas o processo provavelmente será mais lento e terá um risco de crédito maior, disseram analistas.

É improvável que a proibição da negociação tenha um grande impacto nos preços das moedas criptografadas globalmente, porque as bolsas de fora da China continuarão negociando, de acordo com Zhou, da FBG Capital. O papel do país no mercado de bitcoins já havia começado a diminuir nos últimos meses à medida que as autoridades intensificavam a regulamentação. Em determinado momento, as negociações na China representavam mais de 90 por cento das transações mundiais de bitcoin.

O maior risco para os traders internacionais pode ser o enorme aumento dos preços do bitcoin, de acordo com McFarland.


--Com a colaboração de Yinan Zhao Yuji Nakamura Justina Lee e Eric Lam

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